sábado, 24 de outubro de 2026
SAÚDE

Atividade física ajuda a prevenir doenças crônicas no Paraná

A atividade física regular está associada à prevenção e ao controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. No Paraná, a promoção do movimento integra ações da Secretaria de Estado da Saúde e pode ser buscada nas unidades básicas e em programas municipais.

A atividade física regular é uma das principais estratégias de promoção da saúde e pode contribuir para a prevenção de doenças crônicas no Paraná. Caminhar, andar de bicicleta, dançar, nadar, praticar esportes ou realizar exercícios orientados ajuda a reduzir o sedentarismo e está associado a menor risco de hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

O movimento também pode colaborar para o controle do peso, a melhora da pressão arterial, a qualidade do sono, o equilíbrio emocional e a manutenção da autonomia ao longo da vida. A prática, no entanto, não substitui consultas, exames ou tratamentos prescritos. Para pessoas com doenças já diagnosticadas, a atividade física deve ser integrada ao acompanhamento da equipe de saúde.

As recomendações fazem parte do Ministério da Saúde e do programa estadual de promoção de práticas corporais e atividade física. (gov.br)

Por que o movimento é importante para a saúde

Doenças crônicas não transmissíveis são condições de longa duração que exigem acompanhamento contínuo. Entre as mais comuns estão as doenças cardiovasculares, o diabetes, o câncer e as doenças respiratórias crônicas. Elas podem ser influenciadas por fatores genéticos, ambientais e sociais, mas também por hábitos e condições modificáveis, como o tabagismo, a alimentação inadequada, o excesso de peso, o consumo abusivo de álcool e a inatividade física.

Segundo o Ministério da Saúde, a falta de atividade física regular está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, câncer de cólon e câncer de mama, entre outras condições. A prática frequente favorece o funcionamento do coração e da circulação, ajuda a preservar a massa muscular e pode melhorar a resposta do organismo à insulina.

Isso não significa que uma única atividade consiga evitar todas as doenças ou que o exercício elimine outros fatores de risco. A prevenção depende de um conjunto de medidas, que inclui alimentação adequada, sono, vacinação, acompanhamento médico, controle da pressão arterial, monitoramento da glicemia e abandono do cigarro.

O benefício também não está restrito a exercícios feitos em academias. Atividades incorporadas ao cotidiano, como caminhar para deslocamentos curtos, subir escadas, cuidar do jardim, brincar com crianças ou participar de grupos de dança, podem aumentar o nível de movimento diário.

Recomendação para adultos

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira recomenda que adultos busquem acumular, ao longo da semana, pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa. A orientação deve ser adaptada às condições de saúde, à idade, ao nível de condicionamento e à rotina de cada pessoa.

Atividade moderada é aquela que acelera a respiração e os batimentos cardíacos, mas ainda permite conversar com algum esforço. Na atividade vigorosa, a respiração fica mais intensa e falar durante o exercício se torna mais difícil. A progressão deve ocorrer de forma gradual, especialmente para quem está parado há muito tempo.

O guia também reforça que qualquer movimento é melhor do que permanecer sempre inativo. Pessoas que ainda não alcançam a recomendação semanal podem começar com períodos curtos, distribuídos em diferentes dias, e aumentar gradualmente a duração e a intensidade.

Para crianças, adolescentes, idosos, gestantes, mulheres no pós-parto e pessoas com deficiência, as recomendações possuem características próprias. Por isso, a orientação deve considerar o ciclo de vida e as condições individuais, sem transformar a prática em uma competição de desempenho.

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira orienta que pessoas com hipertensão, diabetes, asma ou excesso de peso comecem por períodos curtos e atividades leves ou moderadas, ampliando o esforço progressivamente. (bvsms.saude.gov.br)

Relação com hipertensão e diabetes

A hipertensão arterial é uma das principais condições crônicas acompanhadas na rede de saúde. A atividade física pode contribuir para o controle da pressão, mas não autoriza a interrupção ou a mudança de medicamentos por conta própria. Quem utiliza remédios deve manter o tratamento e conversar com um profissional sobre o tipo e a intensidade de exercício mais adequados.

No caso do diabetes, o movimento pode ajudar o organismo a utilizar a glicose e melhorar o controle metabólico. Pessoas que usam insulina ou outros medicamentos precisam receber orientação individualizada para reduzir o risco de hipoglicemia, especialmente quando realizam atividades mais longas ou intensas.

Também é importante observar sinais como dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura, desmaio, palpitações incomuns ou mal-estar intenso. Diante desses sintomas, a atividade deve ser interrompida e a pessoa deve procurar avaliação em um serviço de saúde.

O exercício pode fazer parte do cuidado de quem já tem uma doença crônica, mas a prescrição deve ser compatível com o quadro clínico. O objetivo não é exigir desempenho esportivo, e sim ampliar a segurança, a autonomia e a regularidade do movimento.

Prevenção de câncer e envelhecimento saudável

A prática de atividade física também está relacionada à prevenção de alguns tipos de câncer. O Instituto Nacional de Câncer destaca que caminhar, pedalar, dançar, nadar e realizar outras atividades ao longo da rotina podem contribuir para a proteção contra a doença.

Para pessoas que tiveram câncer ou estão em tratamento, a atividade física pode ser considerada dentro de um plano individual de cuidado. A intensidade e o tipo de exercício precisam levar em conta o tratamento realizado, os efeitos colaterais, a condição clínica e a avaliação da equipe responsável.

Na velhice, o movimento ajuda a preservar força, equilíbrio e independência. Exercícios de fortalecimento muscular e atividades que estimulam o equilíbrio podem reduzir o risco de quedas, enquanto caminhadas e práticas recreativas favorecem a convivência social e a saúde mental.

Para idosos que possuem limitações de mobilidade, a orientação pode incluir exercícios adaptados, realizados em casa, em grupos comunitários ou em espaços públicos. A ausência de desempenho atlético não impede a obtenção de benefícios; a regularidade e a adequação são mais importantes.

O Instituto Nacional de Câncer ressalta que a atividade física pode ser incorporada por meio de deslocamentos, tarefas diárias e atividades ao ar livre, sem depender exclusivamente de academias ou modalidades esportivas estruturadas. (gov.br)

Como o Paraná organiza a promoção da atividade física

No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde informa que as práticas corporais e as atividades físicas são ofertadas principalmente na Atenção Primária à Saúde, em âmbito municipal. A proposta é adaptar as ações às necessidades de cada território e reduzir o sedentarismo por meio de iniciativas vinculadas ao Sistema Único de Saúde.

Entre as estratégias relacionadas à promoção da saúde estão o Programa Academia da Saúde, o Programa Saúde na Escola e ações desenvolvidas em conjunto com municípios, escolas, serviços de assistência social e áreas de esporte e lazer.

A Secretaria também mantém ações voltadas à prevenção e ao controle de doenças crônicas, com foco em hipertensão, diabetes, neoplasias e tabagismo. Nesse modelo, a promoção da saúde é articulada ao acompanhamento de pessoas com diferentes níveis de risco e necessidade de cuidado.

Na prática, a oferta pode variar de um município para outro. Algumas cidades mantêm grupos de caminhada, alongamento, dança, ginástica ou atividades em espaços públicos. A população pode procurar a Unidade Básica de Saúde de referência para saber se há grupos, projetos ou profissionais disponíveis na região.

A participação em atividades comunitárias pode favorecer a continuidade. Grupos organizados criam rotina, ampliam a convivência e ajudam pessoas que têm dificuldade de iniciar ou manter uma prática individual.

A Secretaria da Saúde do Paraná informa que as ações estaduais de prevenção e controle são realizadas em articulação com as Regionais de Saúde e os municípios. (saude.pr.gov.br)

Cuidados para começar com segurança

Quem deseja começar uma rotina deve escolher uma atividade compatível com a idade, a condição física e as preferências pessoais. Caminhadas curtas, deslocamentos ativos, exercícios de mobilidade, dança e atividades recreativas podem ser alternativas iniciais.

O começo deve ser gradual. A pessoa pode iniciar com poucos minutos e aumentar o tempo à medida que se sentir confortável. A regularidade tende a ser mais importante do que realizar sessões muito intensas de forma esporádica.

Roupas confortáveis, calçados adequados, hidratação e proteção contra o sol são medidas recomendadas. Em dias muito quentes, frios ou com condições climáticas desfavoráveis, é necessário adaptar o horário, o local e a intensidade.

Pessoas com doenças crônicas, histórico de problemas cardíacos, sintomas durante o esforço, lesões ou longos períodos de inatividade devem buscar orientação da equipe de saúde. A avaliação pode ajudar a escolher uma prática segura e identificar situações que exigem acompanhamento específico.

Também é necessário respeitar os limites do corpo. Dor intensa, tontura, falta de ar fora do habitual ou mal-estar não devem ser ignorados. Nesses casos, a recomendação é interromper o exercício e buscar atendimento, principalmente quando os sintomas forem persistentes ou intensos.

Atividade física é parte de uma estratégia ampla

A prevenção de doenças crônicas no Paraná depende de ações individuais e políticas públicas. A atividade física é uma ferramenta importante, mas seus resultados são maiores quando combinada a alimentação adequada, acompanhamento regular, controle de fatores de risco, vacinação e acesso oportuno aos serviços de saúde.

Para quem está sedentário, o primeiro passo pode ser simples: diminuir o tempo sentado, fazer pequenas caminhadas, usar escadas quando possível ou reservar alguns minutos do dia para uma atividade prazerosa. Com orientação e progressão gradual, o movimento pode deixar de ser uma tarefa eventual e passar a fazer parte da rotina.

O acesso a espaços seguros, transporte ativo, praças, parques, escolas e programas comunitários também influencia a prática. Por isso, a promoção da atividade física exige participação dos serviços de saúde, dos municípios, das escolas, das famílias e da própria comunidade.

No Paraná, a orientação oficial é procurar a Atenção Primária à Saúde e verificar quais ações estão disponíveis no município. A informação profissional é especialmente importante para pessoas que já convivem com hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, limitações físicas ou outras condições que possam exigir adaptação.