Prevenir doenças cardiovasculares depende, principalmente, do controle de fatores de risco que podem ser modificados ao longo da vida. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, alimentação desequilibrada, excesso de peso e consumo nocivo de álcool estão entre os principais fatores associados ao infarto, ao acidente vascular cerebral (AVC) e a outras doenças do aparelho circulatório.
No Paraná, a atenção ao tema envolve a rede de Atenção Primária à Saúde, formada pelas unidades básicas de saúde dos municípios. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, 2.186.861 pessoas conviviam com hipertensão arterial no Estado no início do primeiro trimestre de 2026. A secretaria também informa que a avaliação do risco cardiovascular é estimulada para a população de 40 a 74 anos.
A prevenção não elimina todos os riscos, já que idade, histórico familiar e características genéticas também influenciam a saúde cardiovascular. No entanto, mudanças de rotina e acompanhamento regular podem reduzir a probabilidade de complicações e favorecer o diagnóstico precoce.
O que são doenças cardiovasculares
Doenças cardiovasculares são condições que afetam o coração e os vasos sanguíneos. O grupo inclui hipertensão arterial, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, arritmias, infarto e AVC, entre outros problemas.
Essas doenças podem se desenvolver de forma silenciosa durante anos. A hipertensão, por exemplo, frequentemente não causa sintomas perceptíveis. Por isso, esperar sinais como dor de cabeça, tontura ou mal-estar para procurar atendimento pode atrasar o diagnóstico.
De acordo com o Ministério da Saúde, os principais fatores de risco modificáveis para doenças crônicas não transmissíveis incluem o tabagismo, o consumo nocivo de álcool, a alimentação inadequada, a obesidade e a falta de atividade física.
Controle a pressão arterial
A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para infarto, AVC, doença renal crônica e insuficiência cardíaca. Como pode não apresentar sintomas, a única forma de saber se a pressão está elevada é fazer a aferição em um serviço de saúde ou com equipamento adequado.
A medição deve ser interpretada por um profissional, porque um resultado isolado não é suficiente para confirmar o diagnóstico. Quando a hipertensão é identificada, o tratamento pode envolver mudanças no estilo de vida e medicamentos prescritos de acordo com a avaliação clínica.
Quem já usa remédios para pressão deve seguir a orientação da equipe de saúde e evitar interromper o tratamento por conta própria. A suspensão, a troca ou o ajuste da dose sem acompanhamento pode aumentar o risco de complicações.
Adote uma alimentação mais saudável
A alimentação influencia o peso corporal, a pressão arterial, os níveis de glicose e o colesterol. Para proteger o coração, a orientação geral é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão, arroz, ovos, carnes e outros alimentos preparados em casa.
Também é recomendável reduzir o consumo de produtos ultraprocessados, que costumam apresentar excesso de sódio, açúcar, gorduras e aditivos. Refrigerantes, bebidas açucaradas, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos e refeições prontas devem ser consumidos com moderação.
O sal merece atenção porque o excesso de sódio contribui para o aumento da pressão arterial em parte da população. Usar ervas, alho, cebola, limão e outros temperos naturais pode ajudar a reduzir a quantidade de sal adicionada às preparações.
O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde, recomenda que a base da alimentação seja formada por alimentos variados e que as refeições sejam feitas com atenção, sempre que possível em ambientes adequados.
Mantenha uma rotina de atividade física
A prática regular de atividade física ajuda no controle do peso, da pressão arterial e da glicose. Também pode contribuir para a melhora do condicionamento físico e da qualidade de vida.
Para quem está parado, a recomendação é começar gradualmente. Caminhadas curtas, deslocamentos a pé, dança, bicicleta, atividades domésticas e exercícios orientados podem fazer parte da rotina. O Ministério da Saúde orienta iniciar com atividades leves e aumentar aos poucos a duração e a intensidade, respeitando as condições individuais.
Uma referência frequentemente utilizada pelos serviços de saúde é alcançar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, quando não houver contraindicação. Pessoas com dor no peito, falta de ar fora do habitual, tontura, desmaio ou doença cardíaca conhecida devem conversar com um profissional antes de iniciar ou intensificar exercícios.
Além do exercício, é importante reduzir o tempo sentado. Levantar-se em intervalos regulares, caminhar durante pequenas pausas e evitar longos períodos de inatividade são medidas simples que podem complementar a rotina.
Não fume e procure ajuda para parar
O tabagismo aumenta o risco de aterosclerose, infarto, AVC e outras doenças. O risco também está relacionado a diferentes formas de consumo de produtos de tabaco, não apenas ao cigarro convencional.
Parar de fumar pode ser difícil porque a nicotina causa dependência. No Paraná, o Programa Estadual de Controle do Tabagismo desenvolve ações de promoção da saúde, prevenção da iniciação e cuidado das pessoas que desejam abandonar o hábito por meio do Sistema Único de Saúde.
A pessoa interessada deve procurar a unidade básica de saúde do município para saber quais ações e grupos estão disponíveis. O uso de medicamentos ou produtos para cessação do tabagismo precisa ser avaliado por profissionais de saúde.
Controle diabetes, colesterol e peso
Diabetes e colesterol elevado podem danificar os vasos sanguíneos e aumentar o risco cardiovascular. Muitas vezes, essas alterações só são identificadas por meio de exames laboratoriais e acompanhamento médico.
O acompanhamento deve considerar o conjunto de fatores de risco, e não apenas um resultado isolado. Pressão arterial, glicemia, colesterol, peso, circunferência abdominal, histórico familiar, idade e hábitos de vida podem ser analisados para estimar o risco individual.
O excesso de peso não deve ser tratado apenas como uma questão estética. Ele pode favorecer hipertensão, diabetes tipo 2, alterações no colesterol e sobrecarga do coração. Mudanças sustentáveis na alimentação e na atividade física costumam ser mais importantes do que dietas restritivas de curta duração.
Pessoas que já receberam diagnóstico de diabetes, colesterol alto ou obesidade devem manter o acompanhamento indicado e não interromper medicamentos sem orientação profissional.
Modere o consumo de álcool e cuide do sono
O consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode contribuir para o aumento da pressão arterial, ganho de peso, alterações metabólicas e problemas no ritmo do coração. A opção mais segura para algumas pessoas pode ser não consumir álcool, especialmente durante a gestação, em caso de dependência, uso de determinados medicamentos ou doenças específicas.
O sono também participa da manutenção da saúde. Dormir mal de forma persistente pode dificultar o controle do peso, da pressão e da glicose. Ronco intenso, pausas na respiração durante o sono, sonolência excessiva durante o dia e despertares frequentes devem ser relatados a um profissional de saúde.
Faça acompanhamento na unidade de saúde
A unidade básica de saúde é uma porta de entrada para prevenção, diagnóstico e acompanhamento de doenças crônicas. O atendimento pode incluir aferição da pressão, avaliação de hábitos de vida, solicitação de exames conforme a necessidade e encaminhamento para outros serviços.
A Secretaria da Saúde do Paraná destaca que a rede estadual e municipal atua com ações de proteção, prevenção, diagnóstico e tratamento, incluindo a estratificação do risco cardiovascular.
A frequência das consultas e dos exames depende da idade, do histórico familiar, das doenças já identificadas, do uso de medicamentos e dos resultados anteriores. Não existe um pacote de exames igual para todas as pessoas. A avaliação deve ser individualizada.
Reconheça os sinais de infarto e AVC
A prevenção é fundamental, mas os sinais de emergência também precisam ser conhecidos. Dor ou pressão no peito, especialmente quando acompanhada de falta de ar, suor frio, palidez, náusea, mal-estar ou sensação de desmaio, pode indicar infarto. Em idosos e pessoas com diabetes, os sintomas podem ser menos típicos.
Em caso de suspeita de infarto, a orientação do Ministério da Saúde é ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU 192, ou procurar atendimento de emergência imediatamente. Não se deve dirigir se a pessoa estiver passando mal.
No AVC, os sinais podem incluir alteração súbita da fala, dificuldade para compreender, perda de força ou formigamento em um lado do corpo, desvio da boca, alteração visual, tontura intensa, perda de equilíbrio ou dor de cabeça súbita e forte.
Ao identificar esses sintomas, é necessário chamar o SAMU 192 ou buscar atendimento imediato. Informar o horário em que os sinais começaram pode ajudar a equipe médica a definir a conduta. Quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento, maiores podem ser as chances de reduzir sequelas.
Prevenção começa antes dos sintomas
Prevenir doenças cardiovasculares não significa eliminar completamente todos os riscos, mas agir de maneira contínua sobre os fatores que podem ser controlados. No Paraná, esse cuidado pode começar na unidade básica de saúde, com a verificação da pressão e a avaliação do histórico e dos hábitos de cada pessoa.
Uma rotina com alimentação equilibrada, atividade física, abandono do cigarro, controle do álcool, sono adequado e acompanhamento de diabetes, colesterol e pressão ajuda a proteger o coração. Em caso de sintomas súbitos ou intensos, a prioridade é buscar atendimento de emergência, sem esperar que o mal-estar passe sozinho.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou tratamento individualizado.








