sábado, 24 de outubro de 2026
SAÚDE

Como prevenir doenças respiratórias durante o inverno no Paraná

O inverno no Paraná favorece a circulação de vírus respiratórios e a piora de doenças como asma, rinite e bronquite. Veja quais cuidados ajudam a prevenir infecções, proteger grupos vulneráveis e identificar o momento de procurar atendimento médico.

Prevenir doenças respiratórias no inverno exige uma combinação de cuidados simples, mas que precisam ser mantidos de forma constante. No Paraná, as temperaturas mais baixas favorecem a permanência em ambientes fechados, onde vírus como influenza, coronavírus e vírus sincicial respiratório podem circular com mais facilidade. O período também pode agravar crises de asma, bronquite, rinite e outras condições das vias aéreas.

A principal estratégia é manter a vacinação em dia, especialmente contra a gripe e a covid-19, além de melhorar a ventilação dos espaços, higienizar as mãos, evitar contato próximo quando houver sintomas e procurar atendimento diante de sinais de agravamento. As orientações são importantes para toda a população, mas exigem atenção redobrada entre crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. A Secretaria da Saúde do Paraná destaca que o outono e o inverno são períodos de maior atenção às síndromes respiratórias. (saude.pr.gov.br)

Por que o inverno aumenta o risco de infecções

O frio, por si só, não causa gripe ou resfriado. O aumento dos casos está relacionado principalmente à maior circulação de pessoas em locais fechados e pouco ventilados. Nessas condições, partículas e gotículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar podem permanecer no ambiente e facilitar a transmissão de agentes infecciosos.

O ar mais seco também pode irritar as mucosas do nariz e da garganta. Em pessoas com rinite, asma ou outras doenças respiratórias, essa irritação pode desencadear tosse, chiado, falta de ar e aumento da secreção. A redução da ventilação dentro de casas, escolas, escritórios, ônibus e outros espaços de uso coletivo amplia o risco de transmissão.

Por isso, a prevenção não deve se limitar a evitar o frio. É necessário reduzir as oportunidades de contato com vírus e bactérias, manter o acompanhamento de doenças já diagnosticadas e reconhecer rapidamente os sintomas que exigem avaliação profissional. O Ministério da Saúde recomenda atenção especial à ventilação, à higiene das mãos e à vacinação durante os meses frios. (bvsms.saude.gov.br)

1. Mantenha a vacinação atualizada

A vacinação contra a influenza é uma das principais medidas para reduzir o risco de complicações da gripe, internações e mortes. Como os vírus influenza sofrem mudanças ao longo do tempo, a vacina é atualizada periodicamente e a imunização precisa ser feita conforme as orientações do Programa Nacional de Imunizações.

A vacina não protege contra todos os vírus que provocam resfriados e outras infecções, mas reduz o risco de formas graves da gripe. Também é importante verificar se as doses indicadas contra a covid-19 estão atualizadas, de acordo com a idade, as condições de saúde e as recomendações vigentes.

Em 2026, o Paraná ampliou a vacinação contra a gripe para a população com mais de seis meses de idade, conforme anúncio feito pela Secretaria de Estado da Saúde em 29 de junho. Como estratégias, públicos prioritários e disponibilidade podem ser alterados, a orientação é confirmar as regras na unidade de saúde do município ou nos canais oficiais da Secretaria da Saúde do Paraná. (saude.pr.gov.br)

Crianças pequenas, pessoas com 60 anos ou mais, gestantes, puérperas, indivíduos com doenças crônicas e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos que podem apresentar maior risco de complicações. Nesses casos, a vacinação deve ser priorizada e eventuais dúvidas precisam ser discutidas com um profissional de saúde.

2. Ventile a casa e os ambientes de trabalho

Mesmo nos dias frios, é importante abrir portas e janelas sempre que possível para permitir a renovação do ar. A ventilação ajuda a diminuir a concentração de partículas respiratórias em locais fechados e reduz a possibilidade de transmissão entre pessoas.

Em casas, escolas e ambientes de trabalho, a recomendação é evitar permanecer por longos períodos em cômodos totalmente fechados e cheios. Quando houver reunião, atendimento ou atividade coletiva, a circulação de ar deve ser priorizada. Em veículos, a abertura parcial das janelas pode contribuir para a renovação do ar, desde que isso seja compatível com as condições de segurança e conforto.

O cuidado não significa manter todos os espaços abertos o tempo inteiro, mas evitar a falta de ventilação. Em períodos de frio intenso, janelas podem ser abertas por alguns minutos em diferentes momentos do dia, especialmente quando houver várias pessoas no local.

3. Use máscara em situações específicas

O uso de máscara pode ser útil quando a pessoa apresenta tosse, coriza, febre ou outros sintomas respiratórios e precisa entrar em contato com outras pessoas. A medida ajuda a reduzir a emissão de partículas e protege quem está ao redor.

Pessoas idosas, imunossuprimidas ou com doenças cardíacas e pulmonares também podem considerar o uso de máscara em locais fechados, lotados ou com circulação elevada de vírus, especialmente durante períodos de aumento de casos. A escolha deve levar em conta o ajuste ao rosto e a possibilidade de troca quando a máscara estiver úmida ou suja.

Quem estiver doente deve, sempre que possível, evitar aglomerações, adiar encontros presenciais e permanecer em casa durante o período de maior intensidade dos sintomas. Quando o contato for inevitável, a máscara deve ser associada à ventilação e à higiene das mãos.

4. Higienize as mãos e adote a etiqueta respiratória

Lavar as mãos com água e sabão é uma medida importante para diminuir a transmissão de vírus e bactérias. A limpeza deve alcançar palmas, dorso, espaços entre os dedos, unhas e punhos. Quando não houver pia disponível, o álcool em gel pode ser usado como alternativa, desde que as mãos não estejam visivelmente sujas.

É especialmente importante higienizar as mãos depois de tossir, espirrar ou assoar o nariz; após usar o transporte público; antes das refeições; ao chegar em casa; e antes de tocar olhos, nariz ou boca.

Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com a parte interna do cotovelo ou use um lenço descartável. O lenço deve ser descartado imediatamente, seguido da higienização das mãos. Evite compartilhar copos, talheres, toalhas, celulares e outros objetos de uso pessoal.

Também é recomendável limpar com frequência superfícies tocadas por muitas pessoas, como maçanetas, corrimãos, interruptores e aparelhos compartilhados. A limpeza não substitui a ventilação nem a vacinação, mas complementa as medidas de prevenção.

5. Proteja crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas

Os extremos de idade e as pessoas com condições de saúde preexistentes podem ter maior risco de desenvolver complicações. Crianças pequenas, especialmente bebês, podem evoluir com bronquiolite e outras infecções que comprometem a respiração. Idosos e pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, cardiopatias, diabetes ou baixa imunidade também precisam de acompanhamento mais cuidadoso.

Famílias devem observar se a vacinação está atualizada, manter os medicamentos de uso contínuo conforme a prescrição e evitar a exposição desnecessária a pessoas com sintomas. Não se deve interromper ou iniciar remédios por conta própria, incluindo antibióticos, corticoides ou antivirais.

Em bebês, dificuldade para mamar, redução importante da ingestão de líquidos, sonolência excessiva, pausas respiratórias ou coloração arroxeada nos lábios exigem atendimento imediato. O Ministério da Saúde orienta que esses sinais podem indicar agravamento da bronquiolite. (gov.br)

6. Evite fumaça, automedicação e ambientes irritantes

A fumaça do cigarro, de lenha, de queimadas e de outros materiais irrita as vias respiratórias e pode agravar crises de asma, bronquite e rinite. Crianças e pessoas com doenças pulmonares devem ser mantidas longe de ambientes com fumaça, inclusive quando o fumante não estiver consumindo o cigarro naquele momento.

Produtos de limpeza com cheiro forte, poeira, mofo e perfumes intensos também podem desencadear sintomas em pessoas sensíveis. A casa deve ser mantida limpa, seca e com atenção para infiltrações. Cobertores e roupas guardados por muito tempo devem ser higienizados antes do uso para reduzir a presença de poeira e ácaros.

Não há indicação para tomar antibiótico ou outro medicamento sem avaliação. Gripe, resfriado e covid-19 podem ter sintomas semelhantes, mas o tratamento depende da causa, da idade, das condições clínicas e da intensidade do quadro.

7. Hidrate-se e proteja as vias respiratórias

A hidratação ajuda a manter o organismo funcionando adequadamente e pode aliviar o desconforto provocado pelo ar seco. Água deve ser a principal fonte de líquidos, respeitando orientações médicas para pessoas que precisam restringir o consumo por causa de doenças cardíacas, renais ou outras condições.

Roupas adequadas ajudam a reduzir o desconforto causado pelas baixas temperaturas. Em ambientes muito secos, algumas pessoas podem sentir irritação no nariz e na garganta. A limpeza nasal com solução apropriada pode trazer alívio, mas produtos e técnicas devem ser utilizados de forma segura, especialmente em crianças.

Alimentação equilibrada, sono adequado e atividade física regular também contribuem para a manutenção da saúde. Essas medidas não substituem vacinas ou tratamento médico, mas ajudam o organismo a enfrentar melhor as variações do inverno.

Quando procurar atendimento médico

Sintomas como tosse, coriza, dor de garganta, febre, calafrios, cansaço e dores no corpo podem aparecer em diferentes infecções respiratórias. Pessoas com sintomas leves devem observar a evolução do quadro, evitar contato próximo e buscar orientação na unidade de saúde quando houver dúvida, persistência ou piora.

A falta de ar, a dificuldade para respirar, a dor ou pressão persistente no peito, a confusão mental, a desidratação, os lábios arroxeados e a piora de uma doença crônica são sinais de alerta. Febre que persiste por mais de três dias, aumenta ou retorna depois de um período de melhora também exige avaliação. A Sesa orienta buscar atendimento imediatamente diante de falta de ar, confusão mental, desidratação ou persistência da febre. (saude.pr.gov.br)

Em caso de emergência, a pessoa deve procurar um serviço de urgência ou acionar o atendimento de emergência disponível na localidade. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pacientes com doenças crônicas não devem esperar a piora para buscar orientação.

Prevenção depende de rotina

O inverno paranaense exige atenção porque reúne temperaturas baixas, ambientes mais fechados e maior circulação de vírus respiratórios. A prevenção mais eficaz é formada por várias atitudes: vacinação atualizada, ventilação, higiene das mãos, etiqueta respiratória, uso adequado de máscara e cuidado com pessoas vulneráveis.

Manter essas medidas durante toda a estação reduz a transmissão e aumenta a chance de identificar cedo os casos que precisam de acompanhamento. Em caso de dúvida sobre vacinas, sintomas ou medicamentos, a recomendação é procurar uma unidade de saúde e seguir as orientações de profissionais habilitados.