sábado, 24 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde durante viagens e feriados no Paraná: veja como se prevenir

Cuidados simples antes, durante e depois da viagem podem evitar desidratação, doenças transmitidas por alimentos, picadas de insetos, problemas respiratórios e interrupções no tratamento de doenças crônicas durante feriados no Paraná.

Viagens e feriados aumentam o tempo fora de casa, a exposição ao sol, o consumo de alimentos preparados em locais diferentes e o contato com ambientes cheios. No Paraná, os deslocamentos podem incluir cidades, áreas rurais, trilhas, rios, cachoeiras, praias de água doce e regiões com mudanças de temperatura. Por isso, alguns cuidados devem ser planejados antes da saída.

A preparação inclui conferir a situação vacinal, organizar medicamentos de uso contínuo, escolher alimentos e bebidas com segurança, proteger a pele contra o sol e os insetos e saber onde buscar atendimento em caso de emergência. As recomendações são especialmente importantes para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Antes da viagem, confira vacinas e medicamentos

O primeiro passo é verificar se o Cartão de Vacinação está atualizado. O Ministério da Saúde recomenda que o viajante mantenha as vacinas previstas no Calendário Nacional em dia e leve o registro junto aos documentos pessoais. Em viagens internacionais, também pode ser necessário o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, conforme o país de destino ou de trânsito.

Para deslocamentos dentro do Paraná, a atenção à febre amarela é importante, sobretudo quando o roteiro inclui áreas de mata, zona rural, rios, cachoeiras ou parques. A Secretaria de Estado da Saúde informa que a vacina está disponível nas unidades de saúde dos 399 municípios paranaenses. Quem ainda não foi imunizado e tem indicação para receber a dose deve procurar o serviço de saúde com antecedência, pois a proteção começa dez dias após a vacinação.

A vacina contra a febre amarela tem recomendações específicas para diferentes grupos. Pessoas com 60 anos ou mais e gestantes, por exemplo, devem receber avaliação de um profissional de saúde antes da aplicação. Crianças menores de nove meses não recebem a vacina de rotina e precisam de proteção adicional contra picadas, conforme a orientação para a faixa etária.

Também é necessário separar medicamentos suficientes para todo o período, incluindo uma reserva para eventuais atrasos. Os remédios devem ser transportados, de preferência, nas embalagens originais e acompanhados da receita ou de uma cópia da prescrição. Quem utiliza insulina, medicamentos refrigerados ou equipamentos específicos precisa planejar a forma correta de armazenamento e transporte.

A automedicação deve ser evitada. Analgésicos, antialérgicos, antidiarreicos e antibióticos podem ter contraindicações, interações e efeitos adversos. Em caso de doença crônica, gravidez, alergia ou uso de vários medicamentos, a orientação profissional antes da viagem ajuda a reduzir riscos.

Hidratação e proteção contra o calor

Calor, atividade física, consumo de álcool e longos períodos dentro de veículos podem favorecer a desidratação. A recomendação é beber água regularmente, sem esperar o aparecimento de sede intensa. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças cardiovasculares ou renais podem precisar de cuidados individualizados.

Em passeios ao ar livre, é importante fazer pausas em locais protegidos do sol, usar roupas leves, chapéu ou boné e aplicar protetor solar conforme as instruções do fabricante. O Ministério da Saúde recomenda evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, período em que a radiação costuma ser mais intensa.

Sinais como tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea, confusão, desmaio ou redução importante da urina exigem atenção. A pessoa deve ser levada para um local fresco, receber líquidos se estiver consciente e ser avaliada por um serviço de saúde quando os sintomas forem intensos ou persistentes.

Água e alimentos exigem atenção especial

A diarreia do viajante pode ocorrer após o consumo de água ou alimentos contaminados. Segundo o Ministério da Saúde, lavar as mãos, consumir água potável e cozinhar bem os alimentos reduzem o risco, mas não eliminam completamente a possibilidade de infecção.

Durante o feriado, dê preferência à água tratada, filtrada ou comercializada em embalagem lacrada. O mesmo cuidado vale para o gelo usado em bebidas. Em situações nas quais não houver acesso a uma fonte segura, o Ministério da Saúde e a Anvisa orientam que a água seja tratada conforme as instruções oficiais para o uso de hipoclorito de sódio a 2,5%. A quantidade e o tempo de espera devem ser observados corretamente.

Alimentos crus, malpassados ou mantidos por muito tempo em temperatura ambiente exigem cautela. Frutos do mar crus, ovos crus, leite não pasteurizado e preparações com maionese ou cremes podem oferecer maior risco quando não há controle adequado de conservação. Alimentos perecíveis devem permanecer refrigerados ou ser mantidos aquecidos de forma segura.

Em restaurantes, lanchonetes, quiosques e vendedores ambulantes, observe a limpeza do local, a conservação dos produtos, a proteção contra insetos e a rotatividade dos alimentos. Embalagens devem estar íntegras, com identificação do produtor e prazo de validade. A Anvisa recomenda evitar alimentos de procedência desconhecida e optar por preparações bem cozidas, fritas ou assadas.

Frutas e verduras devem ser lavadas adequadamente. Quando possível, escolha alimentos inteiros e sem sinais de deterioração. Depois das refeições e após usar o banheiro, lave as mãos com água e sabão. Na ausência de pia, o álcool em gel pode ser utilizado como alternativa temporária, desde que as mãos não estejam visivelmente sujas.

Repelente e roupas adequadas ajudam a evitar picadas

Áreas de mata, rios, parques, sítios e trilhas exigem proteção contra mosquitos, carrapatos e outros animais. Use calças compridas, blusas de mangas longas, meias e calçados fechados, principalmente em locais de vegetação densa. O repelente deve ser aplicado nas áreas expostas da pele e reaplicado conforme as orientações do rótulo.

O produto não deve ser aplicado em feridas, mucosas ou perto dos olhos. Em crianças, é necessário verificar a idade mínima indicada na embalagem e seguir a orientação de um responsável. Quando houver uso de protetor solar, o repelente deve ser aplicado depois, respeitando as recomendações do fabricante.

Durante trilhas e passeios rurais, examine o corpo e as roupas ao retornar. Se encontrar um carrapato, a retirada deve ser feita com pinça, de maneira cuidadosa, sem esmagá-lo ou aplicar substâncias sobre a pele. Febre, manchas, dor no corpo ou mal-estar após uma viagem para área de mata devem ser informados ao profissional de saúde, junto com o local visitado e a data do passeio.

O contato com animais silvestres deve ser evitado. Em caso de mordida, arranhão ou outra agressão provocada por cão, gato, morcego ou animal silvestre, lave o ferimento imediatamente com água e sabão e procure atendimento médico para avaliar a necessidade de medidas contra a raiva.

Segurança no transporte e prevenção de acidentes

O uso do cinto de segurança é obrigatório para o motorista e todos os passageiros. Crianças devem ser transportadas em dispositivos de retenção adequados ao peso e à altura. Em viagens longas, é recomendável fazer pausas periódicas para caminhar, alongar as pernas e reduzir o desconforto causado pela permanência prolongada sentado.

O motorista não deve dirigir com sono, após consumir álcool ou sob efeito de medicamentos que provoquem sonolência. O planejamento do trajeto, a revisão do veículo e o respeito aos limites de velocidade também fazem parte dos cuidados com a saúde durante viagens.

Em trilhas, cachoeiras e áreas de lazer, não entre em locais sinalizados como perigosos nem mergulhe em águas desconhecidas. Quedas, afogamentos, cortes e acidentes com animais peçonhentos estão entre os riscos associados a atividades ao ar livre. A presença de crianças deve ser acompanhada de forma contínua, especialmente perto de piscinas, rios e lagos.

Como reduzir o risco de doenças respiratórias

Rodoviárias, aeroportos, ônibus, aviões, eventos e hospedagens concentram pessoas de diferentes regiões. A higienização frequente das mãos, a ventilação dos ambientes e a etiqueta respiratória ajudam a diminuir a transmissão de infecções.

Quem apresentar sintomas respiratórios deve evitar contato próximo com outras pessoas, não compartilhar copos, talheres, garrafas ou objetos de uso pessoal e procurar atendimento quando houver piora. Febre persistente, falta de ar, dor no peito, confusão, lábios arroxeados ou queda do estado geral são sinais de alerta.

Pessoas com sintomas podem consultar os canais oficiais de saúde do município ou do Estado para receber orientação sobre o local adequado de atendimento. Em situações de urgência ou emergência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU 192, funciona 24 horas.

O que fazer se houver diarreia, febre ou mal-estar

Em caso de diarreia, o principal cuidado é evitar a desidratação. A pessoa deve ingerir líquidos e buscar orientação em um serviço de saúde, sobretudo se houver sangue nas fezes, febre alta, vômitos persistentes, dor abdominal intensa, sinais de desidratação ou sintomas em crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Febre depois de uma viagem não deve ser ignorada. Ao procurar atendimento, informe o destino, as datas do deslocamento, os locais frequentados, o contato com água ou animais e a ocorrência de picadas de mosquitos ou carrapatos. Essas informações podem ajudar na avaliação médica.

Não é recomendável iniciar antibióticos ou outros medicamentos por conta própria. O tratamento depende da causa dos sintomas e da condição clínica do paciente. A orientação vale também para quem apresenta lesões na pele, dificuldade para respirar ou sinais de reação alérgica.

Cuidados depois do retorno

Algumas doenças podem se manifestar dias após a viagem. Ao apresentar febre, diarreia, manchas na pele, sintomas respiratórios ou mal-estar persistente, procure uma unidade de saúde e informe as regiões visitadas. A informação é especialmente importante quando o roteiro incluiu mata, zona rural, áreas com mosquitos ou consumo de água e alimentos fora de casa.

Para aproveitar o feriado com mais segurança, o planejamento deve começar antes do embarque. Conferir vacinas, levar medicamentos, beber água segura, cuidar da alimentação, usar repelente e reconhecer sinais de alerta são medidas simples que ajudam a preservar a saúde durante os deslocamentos pelo Paraná.