Os períodos de baixa temperatura exigem cuidados específicos para reduzir o risco de doenças respiratórias, hipotermia e agravamento de problemas cardiovasculares. No Paraná, a recomendação das autoridades de saúde é manter a vacinação em dia, proteger o corpo contra o frio, evitar ambientes fechados e observar com atenção os sinais de piora.
O frio afeta especialmente crianças pequenas, pessoas idosas, gestantes, indivíduos com doenças crônicas e pessoas em situação de rua. Nesses grupos, a capacidade de regular a temperatura do corpo ou de reagir a infecções pode ser menor. A orientação é reforçar a prevenção e procurar atendimento quando os sintomas forem persistentes ou se agravarem.
Em orientação publicada em 11 de junho de 2025, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná destacou a importância da vacinação, da hidratação, da alimentação adequada, da atividade física e da circulação de ar nos ambientes durante os dias frios.
Por que o frio aumenta os riscos à saúde
As temperaturas baixas favorecem a permanência das pessoas em locais fechados, com menor circulação de ar. Essa combinação facilita a transmissão de vírus respiratórios, como os causadores da gripe, da covid-19 e de outras infecções. O período também pode agravar quadros de rinite, sinusite, asma e bronquite.
De acordo com o Ministério da Saúde, o frio pode contribuir para o agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Pessoas com hipertensão, doenças cardíacas, asma, doença pulmonar crônica ou outras condições de saúde devem manter o acompanhamento regular e não interromper medicamentos por conta própria.
A redução da umidade do ar, comum em determinadas fases do outono e do inverno, pode ressecar as mucosas e aumentar o desconforto respiratório. A presença de poluentes e fumaça também pode piorar sintomas, sobretudo entre quem já apresenta alguma doença pulmonar.
Vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção
Manter o calendário vacinal atualizado é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco de infecções e complicações. A vacina contra a influenza, popularmente conhecida como gripe, é indicada conforme os públicos definidos pelo Programa Nacional de Imunizações. A vacinação contra a covid-19 também deve seguir as orientações vigentes para cada faixa etária e grupo.
No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde reforça que a vacinação é especialmente importante para pessoas mais vulneráveis às formas graves das doenças respiratórias. A lista de públicos e a disponibilidade de doses podem mudar conforme as campanhas e as orientações do Sistema Único de Saúde.
O Ministério da Saúde mantém informações sobre o calendário nacional de vacinação. Quem estiver com alguma dose atrasada deve procurar uma unidade de saúde. A falta da caderneta não impede a avaliação do histórico vacinal e a orientação pelos profissionais.
Como se proteger do frio no dia a dia
O uso de roupas adequadas ajuda a preservar o calor corporal. A recomendação é vestir peças em camadas, proteger especialmente cabeça, pescoço, mãos e pés e trocar rapidamente roupas úmidas ou molhadas. Cobertores e agasalhos devem estar secos e em boas condições.
É importante manter a hidratação mesmo quando a sensação de sede diminui. A quantidade de água necessária varia de acordo com idade, peso, atividade física, condições de saúde e temperatura do ambiente. Bebidas alcoólicas não devem ser usadas como forma de aquecer o corpo, pois podem aumentar o risco de hipotermia.
A alimentação deve ser variada, com preferência por alimentos in natura ou minimamente processados. Sopas, caldos e bebidas quentes podem fazer parte da rotina, mas não substituem a ingestão adequada de água. O consumo frequente de produtos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio, deve ser evitado.
Mesmo com o frio, a prática de atividade física deve ser mantida dentro das condições de cada pessoa. Exercícios leves, inclusive em casa, podem ajudar na circulação e no bem-estar. Pessoas com doenças crônicas ou sintomas respiratórios devem buscar orientação profissional antes de iniciar ou intensificar atividades.
Os ambientes precisam ser arejados, principalmente quando há várias pessoas no mesmo espaço. Abrir portas e janelas por alguns períodos ajuda a renovar o ar. Em caso de sintomas gripais, o uso de máscara em locais fechados, pouco ventilados ou com aglomeração é uma medida adicional de proteção.
Cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas
Crianças pequenas perdem calor com mais facilidade e podem apresentar agravamento de doenças respiratórias. É necessário verificar se estão bem agasalhadas, mas sem excesso de roupas que provoque suor ou desconforto. Febre, dificuldade para respirar, recusa persistente de líquidos e prostração exigem avaliação de um serviço de saúde.
Entre os idosos, a capacidade de perceber e regular a temperatura corporal pode ser reduzida. Por isso, familiares e cuidadores devem observar mudanças de comportamento, fraqueza, sonolência, confusão, fala alterada, tremores intensos e piora de doenças já conhecidas.
Gestantes, pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares, indivíduos imunossuprimidos e pacientes em tratamento contínuo também devem seguir as consultas e utilizar os medicamentos conforme a prescrição. A interrupção ou alteração de tratamentos sem orientação pode aumentar o risco de complicações.
Em períodos de frio intenso, a atenção deve ser ampliada para pessoas em situação de rua. A exposição prolongada ao frio, ao vento e à umidade pode provocar hipotermia e outras complicações. A população pode acionar os serviços municipais de assistência e saúde de sua cidade quando identificar alguém em risco.
Hipotermia: sinais que exigem atenção
A hipotermia ocorre quando a temperatura corporal cai para menos de 35°C. O quadro pode surgir após exposição prolongada ao frio, principalmente quando há vento, chuva ou roupas molhadas. Crianças, idosos e pessoas debilitadas estão entre os grupos mais suscetíveis.
Os sinais iniciais podem incluir tremores, pele fria e pálida, cansaço, fraqueza, sonolência e dificuldade de coordenação. Com a progressão, podem aparecer confusão mental, fala enrolada, perda de consciência e outras alterações graves.
Diante de suspeita, a pessoa deve ser levada para um local protegido, ter as roupas molhadas substituídas e receber agasalhos secos. Não se deve oferecer bebida alcoólica nem tentar aquecer o corpo de forma brusca. Se houver confusão mental, desmaio, convulsão, dificuldade intensa para respirar ou perda de consciência, é necessário buscar atendimento de urgência.
Quando procurar atendimento médico
Sintomas como febre, tosse, dor de garganta, coriza, dores no corpo e cansaço podem ocorrer em infecções respiratórias. A orientação da Sesa é procurar atendimento quando houver persistência, piora ou associação com condições crônicas.
Também é importante buscar avaliação diante de falta de ar, dor ou pressão no peito, lábios arroxeados, confusão mental, desmaio, fraqueza intensa, desidratação, febre persistente ou piora rápida do estado geral. Em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, a procura deve ser antecipada quando os sintomas forem diferentes do habitual.
As Unidades Básicas de Saúde podem avaliar o quadro, acompanhar doenças crônicas, atualizar a vacinação e encaminhar o paciente para outros pontos da rede quando necessário. Em situações graves, a recomendação é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento ou acionar o serviço de emergência.
Prevenção depende de cuidados contínuos
O frio não causa sozinho todas as doenças respiratórias, mas pode favorecer a transmissão de vírus e agravar condições já existentes. Por isso, a prevenção depende de um conjunto de medidas: vacinação, higiene das mãos, ventilação, uso de máscara quando indicado, proteção contra a umidade, hidratação e acompanhamento médico.
As orientações podem ser reforçadas durante ondas de frio ou mudanças bruscas de temperatura. No Paraná, a população deve acompanhar comunicados da Secretaria de Estado da Saúde e das secretarias municipais, além de procurar a unidade de saúde de referência quando houver dúvidas sobre vacinação ou sintomas.
Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde voltou a recomendar atenção especial no Sul do país diante de períodos de baixa temperatura. Entre as medidas destacadas estão o uso de agasalhos, a troca de roupas molhadas, a manutenção da hidratação, a atualização das vacinas e a busca por atendimento diante de sinais de agravamento. A orientação completa está disponível no Ministério da Saúde.








