sábado, 24 de outubro de 2026
SAÚDE

Diabetes: hábitos que ajudam no controle da doença

Hábitos cotidianos têm papel importante no controle do diabetes. Alimentação baseada em alimentos in natura, atividade física regular, uso correto dos medicamentos, monitoramento da glicemia e acompanhamento com profissionais de saúde fazem parte do cuidado contínuo.

O controle do diabetes depende de um conjunto de cuidados mantidos ao longo do tempo. Além dos medicamentos prescritos, hábitos relacionados à alimentação, à atividade física, ao sono, ao controle do estresse e ao acompanhamento de saúde podem ajudar a manter a glicemia em níveis adequados e reduzir o risco de complicações.

O diabetes é uma condição crônica caracterizada pela elevação da glicose no sangue. Isso ocorre quando o organismo não produz insulina em quantidade suficiente ou não utiliza adequadamente esse hormônio, responsável por ajudar a levar a glicose para dentro das células. Quando permanece elevada por longos períodos, a glicemia pode afetar vasos sanguíneos, coração, rins, olhos, nervos e pés.

As recomendações precisam ser individualizadas. O diabetes tipo 1, o tipo 2, o diabetes gestacional e outras formas da doença têm características diferentes e podem exigir estratégias específicas. Por isso, mudanças na rotina não devem substituir consultas, exames ou remédios indicados pela equipe de saúde.

Alimentação equilibrada é parte do tratamento

A alimentação tem influência direta sobre a glicemia, o peso, a pressão arterial e os níveis de colesterol. Para pessoas com diabetes, a orientação geral é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como verduras, legumes, frutas, feijões, carnes, ovos, leite e cereais, de acordo com as necessidades individuais.

O Ministério da Saúde destaca que a mudança dos hábitos alimentares está entre os principais fatores associados ao controle do diabetes. A Sociedade Brasileira de Diabetes também recomenda que os alimentos ultraprocessados sejam evitados ou consumidos com pouca frequência.

Na prática, isso significa reduzir o consumo de refrigerantes, bebidas açucaradas, biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos, refeições prontas e produtos com excesso de açúcar, gordura saturada e sódio. Esses alimentos podem facilitar o ganho de peso e dificultar o controle metabólico quando fazem parte da rotina.

Também é importante observar as porções e a distribuição das refeições. O carboidrato não precisa ser eliminado, mas sua quantidade e qualidade devem ser avaliadas. Arroz, pães, massas, batatas, mandioca, milho, frutas e outros alimentos ricos em carboidratos podem fazer parte do plano alimentar, preferencialmente em porções adequadas e combinados com fibras e fontes de proteína.

Fibras presentes em feijões, aveia, hortaliças, frutas e cereais integrais podem contribuir para uma absorção mais lenta da glicose e para a sensação de saciedade. A escolha dos alimentos, entretanto, deve considerar o tratamento utilizado, a rotina, a idade, o peso, a presença de doenças associadas e os hábitos culturais de cada pessoa.

Atividade física melhora a sensibilidade à insulina

A atividade física regular ajuda o organismo a utilizar a glicose como fonte de energia e pode melhorar a sensibilidade à insulina. Também contribui para o controle do peso, da pressão arterial e de outros fatores associados ao risco cardiovascular.

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes recomendam, para muitas pessoas com pré-diabetes ou diabetes tipo 2, a combinação de exercícios aeróbicos e resistidos. Caminhada, bicicleta, dança e natação são exemplos de atividades aeróbicas. Exercícios com pesos, elásticos ou o próprio corpo podem contribuir para o fortalecimento muscular.

Uma referência utilizada nas recomendações é alcançar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou intensa, distribuídos ao longo da semana, além de evitar longos períodos sentado. Entretanto, quem está parado há muito tempo deve começar de forma gradual. Caminhadas curtas, subir escadas e interromper o tempo sentado com pequenos períodos de movimento já podem ser passos iniciais.

Antes de iniciar exercícios intensos ou mudar significativamente a rotina, a pessoa deve conversar com um profissional de saúde. O cuidado é especialmente importante para quem usa insulina ou medicamentos que podem causar hipoglicemia, tem doença cardiovascular, alterações nos rins, problemas nos olhos, neuropatia ou feridas nos pés.

A atividade física pode reduzir a glicose durante o exercício e por algumas horas depois. Por isso, pessoas em tratamento com insulina ou determinados medicamentos podem precisar medir a glicemia antes, durante ou depois da prática, conforme orientação individual. Alterações nas doses não devem ser feitas por conta própria.

Monitoramento ajuda a reconhecer padrões

A medição da glicemia, quando indicada, permite observar como o organismo reage à alimentação, aos exercícios, aos medicamentos, ao estresse e a doenças interocorrentes. O método e a frequência das medições variam conforme o tipo de diabetes e o tratamento.

Mais importante do que olhar um resultado isolado é identificar padrões. Glicemias frequentemente elevadas ao acordar, após as refeições ou durante a madrugada devem ser informadas à equipe de saúde. O mesmo vale para episódios repetidos de hipoglicemia, caracterizada pela queda da glicose abaixo do nível considerado seguro para a pessoa.

Sintomas como tremores, suor frio, fome intensa, tontura, palpitação, confusão ou fraqueza podem ocorrer durante uma hipoglicemia. Quem apresenta esses sinais deve seguir o plano orientado pela equipe de saúde. Em casos de desmaio, convulsão ou incapacidade de engolir, não se deve oferecer alimentos ou líquidos pela boca; é necessário buscar atendimento de urgência.

O registro das medições, dos horários das refeições, da atividade física e dos sintomas pode facilitar a avaliação durante as consultas. O acompanhamento também pode incluir exames periódicos, como a hemoglobina glicada, que ajuda a estimar a média da glicose nos meses anteriores.

Medicamentos devem ser usados conforme a prescrição

Um erro comum no tratamento é interromper o medicamento quando a glicemia melhora ou quando os sintomas desaparecem. O diabetes pode permanecer sem sinais evidentes mesmo quando provoca alterações no organismo. Por isso, a suspensão, a troca ou a redução de doses só deve ocorrer com orientação profissional.

O uso correto inclui respeitar horários, doses e formas de aplicação. Pessoas que utilizam insulina devem receber orientação sobre armazenamento, transporte, aplicação, descarte de agulhas e reconhecimento dos sinais de hipoglicemia.

Doenças agudas, como infecções, vômitos e diarreia, podem alterar a glicemia e exigir contato com a equipe de saúde. Em algumas situações, deixar de se alimentar não significa que todos os medicamentos devam ser suspensos. A conduta depende do remédio utilizado e do estado clínico.

Sono e estresse também influenciam a glicemia

Dormir mal e manter níveis elevados de estresse podem dificultar o controle do diabetes. A falta de sono pode afetar hormônios relacionados à fome, à saciedade e ao metabolismo, além de reduzir a disposição para a atividade física e aumentar a preferência por alimentos de maior densidade calórica.

Manter horários regulares para dormir, reduzir o uso de telas antes de deitar, evitar cafeína no período noturno e criar um ambiente adequado são medidas que podem favorecer o descanso. A necessidade de sono varia entre as pessoas, mas a persistência de insônia, ronco intenso, pausas na respiração ou sonolência excessiva durante o dia merece avaliação.

O estresse não causa sozinho todos os tipos de diabetes, mas pode influenciar hábitos, hormônios e níveis de glicose. Técnicas de respiração, atividades de lazer, contato social, psicoterapia e práticas de relaxamento podem ajudar. Quando há tristeza persistente, ansiedade intensa ou dificuldade para seguir o tratamento, é importante procurar apoio profissional.

Cuidados com os pés e exames de rotina

A glicemia elevada por períodos prolongados pode contribuir para alterações nos nervos e na circulação, aumentando o risco de feridas nos pés. A observação diária ajuda a identificar cortes, bolhas, vermelhidão, inchaço, mudanças de temperatura ou áreas doloridas.

É recomendável manter os pés limpos e secos, cortar as unhas com cuidado e usar calçados confortáveis. Não se deve caminhar descalço nem tentar retirar calos ou tratar feridas com produtos caseiros sem orientação. Qualquer lesão que não cicatrize, apresente secreção, mau cheiro, escurecimento ou aumento da vermelhidão precisa de avaliação rápida.

O acompanhamento do diabetes também deve incluir avaliação da pressão arterial, do colesterol, dos rins, dos olhos e da saúde dos pés. A periodicidade depende do quadro clínico e do tipo de tratamento. O objetivo é detectar alterações antes que provoquem perdas funcionais ou complicações mais graves.

O que muda para quem vive no Paraná

As recomendações de autocuidado são aplicáveis a pessoas com diabetes em todo o país, inclusive no Paraná. O acompanhamento pode começar na atenção primária, por meio das unidades básicas de saúde, que orientam consultas, exames, vacinação, acompanhamento clínico e encaminhamentos quando necessários.

A disponibilidade de serviços, medicamentos e fluxos de atendimento pode variar conforme o município. Por isso, o usuário deve buscar informações diretamente na unidade de saúde de referência ou nos canais oficiais da Secretaria Municipal de Saúde. Em situações de emergência, sinais de descompensação importante exigem atendimento imediato.

Pequenas mudanças podem ser mantidas por mais tempo

O controle do diabetes não depende de uma medida isolada nem de uma dieta restritiva seguida por poucos dias. A estratégia mais eficaz costuma ser a construção gradual de hábitos possíveis de manter, com metas definidas junto à equipe de saúde.

Trocar bebidas açucaradas por água, incluir mais verduras nas refeições, caminhar alguns minutos, interromper longos períodos sentado, organizar os horários dos medicamentos e comparecer às consultas são exemplos de atitudes que podem fazer parte da rotina.

O tratamento deve respeitar as condições de vida, a renda, a cultura alimentar, o trabalho e as limitações físicas de cada pessoa. Com acompanhamento adequado e participação ativa no cuidado, é possível melhorar o controle da glicemia e reduzir o risco de complicações. As orientações deste texto são informativas e não substituem avaliação médica, nutricional ou de outros profissionais de saúde.