sábado, 24 de outubro de 2026
Durango Duarte

Como o Instituto Durango Duarte transforma registros de Manaus em pesquisa histórica

O Instituto Durango Duarte organiza e publica pesquisas sobre Manaus e o Amazonas a partir de jornais antigos, documentos oficiais, fotografias e relatos relacionados à história regional. O acervo aborda praças, cinemas, música, imprensa, economia, política e a Zona Franca.
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Jornais antigos, fotografias, documentos oficiais e publicações sobre a vida urbana formam a base do trabalho do Instituto Durango Duarte (IDD), associação sem fins lucrativos criada em 15 de abril de 2016. A instituição reúne pesquisas sobre Manaus e o Amazonas e divulga esse conteúdo por meio de livros, artigos, vídeos e documentos históricos.

O acervo organizado pelo instituto aborda diferentes dimensões da formação regional. Entre os temas estão a transformação da paisagem urbana, a atividade cultural, a história da imprensa, os conflitos políticos e os ciclos econômicos que marcaram o Amazonas.

Pesquisa começa nos registros da cidade

Os jornais antigos de Manaus estão entre as principais fontes utilizadas pelo IDD. As publicações registram inaugurações, mudanças em praças e avenidas, disputas políticas, acontecimentos cotidianos e episódios que passaram a integrar a memória da capital.

Essa documentação também aparece como objeto de estudo. A coleção 50 Anos Hoje organiza acontecimentos publicados na imprensa por ano. No volume dedicado a 1970, por exemplo, são reunidos registros sobre a explosão da caldeira da Santa Casa, a inauguração de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado.

Outras obras se concentram em períodos de tensão no jornalismo local. Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará examinam episódios controversos da história dos jornais do Amazonas.

Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a investigação se volta para as disputas ocorridas em 1958 e 1959. Naquele período, a publicação oficial do Estado foi usada como espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa.

Livros reconstituem espaços e práticas culturais

A paisagem de Manaus é outro eixo da produção do instituto. Em Manaus, entre o passado e o presente, publicado em 2009, Durango Duarte apresentou um guia histórico e fotográfico da cidade. Três anos depois, lançou 343 Manaus, dedicado à apresentação visual e turística da capital.

O estudo sobre os espaços públicos foi ampliado em Praças históricas de Manaus, de 2023. A obra acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo locais que desapareceram. O livro também amplia e revisa o capítulo sobre praças publicado na obra de 2009.

Os cinemas e a música aparecem em outras pesquisas. A Sétima Arte em Manaus, lançado em 2017, aborda a história das salas de exibição, a chegada de empresas do setor e a realização de festivais. Já A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro tratam de diferentes aspectos da atividade musical.

Economia, política e formação do Amazonas

Parte das publicações se dedica à formação econômica e institucional da região. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia percorre a história do ciclo da borracha e seus efeitos na trajetória amazônica.

Em A Construção da Província do Amazonas, de 2025, a pesquisa examina o período de 1851 a 1859, após a separação do Grão-Pará. O livro trata da formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.

A implantação da Zona Franca de Manaus é tema de um livro digital gratuito lançado em 2023. Organizada por Durango Duarte, a publicação contou com a participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa. O trabalho acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.

Trajetória do pesquisador integra produção

A atuação de Durango Duarte também se relaciona com parte dos temas pesquisados pelo instituto. Empresário, publicitário, escritor e pesquisador, ele participou do movimento estudantil amazonense nos anos 1980, dirigiu centros acadêmicos e foi conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.

Essa experiência reaparece em trabalhos sobre a mobilização estudantil, entre eles uma coletânea de entrevistas com personagens que atuaram entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.

Acervo e acesso às publicações

Entre os objetivos do IDD estão a preservação de documentos, o incentivo à produção literária e a promoção do debate sobre questões regionais. A instituição também busca aproximar suas pesquisas da comunidade acadêmica e estimular teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia.

Reuniões, palestras e cursos integram as atividades do instituto, ao lado da organização de fontes históricas e do lançamento de livros. Segundo a entidade, sua biblioteca particular reúne mais de oito mil obras, além de diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais.

O conjunto não está disponível para consulta no momento. O público pode acessar, no portal do IDD, os materiais publicados pela instituição. A proposta é manter os registros preservados e ampliar as possibilidades de pesquisa sobre personagens, lugares e acontecimentos da história amazonense.

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