A saúde nas escolas depende de uma combinação de hábitos individuais, medidas coletivas e ações permanentes de educação. Práticas como lavar as mãos, manter a vacinação em dia, cuidar da alimentação, praticar atividade física e procurar ajuda diante de sintomas podem reduzir riscos e contribuir para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
No Paraná, essas iniciativas são organizadas, entre outras estratégias, por meio do Programa Saúde na Escola (PSE), que articula as áreas de saúde e educação. O programa trabalha com estudantes da educação básica pública em temas como saúde bucal, alimentação saudável, prevenção da obesidade, atividade física, saúde mental, vacinação, prevenção de violências e cuidados com a saúde ambiental. (gov.br)
Por que a prevenção começa na escola
A escola é um espaço de convivência diária entre crianças, adolescentes, profissionais da educação e trabalhadores de diferentes áreas. A proximidade favorece a aprendizagem e a socialização, mas também pode facilitar a circulação de vírus, bactérias e outros agentes causadores de doenças quando não há cuidados adequados.
Por isso, a prevenção não deve ser tratada apenas como uma atividade pontual. Ela precisa fazer parte da rotina, com ambientes limpos, acesso à água, orientação dos estudantes, comunicação com as famílias e integração entre a escola e as unidades de saúde do território.
O Programa Saúde na Escola foi instituído em 2007 e tem como objetivo promover ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. A proposta considera que o cuidado com os estudantes envolve aspectos físicos, emocionais e sociais, além do acompanhamento de situações que podem comprometer a aprendizagem e a permanência na escola. (gov.br)
Higiene das mãos reduz a transmissão de infecções
A higiene das mãos é uma das medidas mais simples para diminuir a transmissão de doenças respiratórias e infecções que podem causar diarreia, vômitos e outros sintomas. As mãos devem ser lavadas com água e sabonete antes das refeições, depois do uso do banheiro, após tossir ou espirrar e sempre que estiverem visivelmente sujas.
Quando não houver acesso imediato à água e ao sabonete, a escola pode seguir as orientações das autoridades de saúde sobre o uso de preparação alcoólica adequada. A disponibilidade de pias, sabonete, papel para secagem e lixeiras é uma responsabilidade importante da estrutura escolar.
Também é necessário orientar os estudantes a evitar levar as mãos aos olhos, ao nariz e à boca sem higienizá-las. Compartilhar copos, talheres, garrafas e objetos de uso pessoal deve ser evitado, principalmente em períodos de maior circulação de doenças.
Etiqueta respiratória protege a comunidade
Ao tossir ou espirrar, o estudante deve cobrir a boca e o nariz com um lenço descartável ou com a parte interna do cotovelo. O lenço precisa ser descartado imediatamente, seguido da higiene das mãos. Essa conduta reduz a dispersão de gotículas e ajuda a proteger colegas e profissionais.
Pessoas com sintomas respiratórios devem receber orientação para procurar atendimento de saúde, especialmente quando houver febre persistente, falta de ar, piora do estado geral ou outros sinais de gravidade. A escola deve manter comunicação com os responsáveis e seguir os protocolos das secretarias de saúde e educação, sem realizar diagnósticos por conta própria.
Em janeiro de 2026, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná reforçou que a convivência em ambientes fechados no retorno às aulas pode favorecer a circulação de doenças respiratórias e outras infecções. A recomendação foi que famílias verificassem a situação vacinal de crianças e adolescentes antes do início do ano letivo. (saude.pr.gov.br)
Vacinação em dia evita doenças e surtos
A vacinação é uma das principais medidas de prevenção disponíveis para a população. O calendário de imunização protege contra doenças que podem causar complicações, afastamentos, internações e, em alguns casos, consequências graves.
No Paraná, a Secretaria da Saúde informa que estudantes de até 18 anos devem apresentar declaração de atualização vacinal no ato da matrícula ou rematrícula, conforme a legislação estadual e as normas relacionadas à rede de ensino. A conferência deve ser feita com a caderneta e com a unidade de vacinação do município, quando houver dúvida sobre doses, reforços ou atrasos.
As vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. Entre os imunizantes destinados a crianças e adolescentes estão aqueles contra doenças como difteria, tétano, coqueluche, varicela, febre amarela, influenza, covid-19 e HPV, conforme a faixa etária e o histórico vacinal. (saude.pr.gov.br)
A atualização da caderneta não deve ocorrer apenas no começo do ano. A proteção precisa ser acompanhada ao longo do tempo, de acordo com as orientações dos serviços de saúde. A escola pode colaborar ao promover campanhas educativas, facilitar a comunicação com as famílias e apoiar ações realizadas em parceria com as equipes de atenção primária.
Alimentação saudável ajuda no desenvolvimento
Uma alimentação equilibrada contribui para o crescimento, a disposição, a concentração e a prevenção de problemas de saúde. No ambiente escolar, o tema pode ser trabalhado sem estimular culpa, constrangimento ou discriminação por peso, aparência ou condição social.
Entre as orientações gerais estão priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais e preparações caseiras, além de reduzir o consumo frequente de produtos ultraprocessados, bebidas açucaradas e alimentos com excesso de sal, açúcar e gorduras.
A oferta de refeições escolares deve respeitar as normas da alimentação escolar e considerar as necessidades dos estudantes. Famílias e escolas também precisam observar possíveis alergias, intolerâncias e restrições alimentares informadas pelos responsáveis e acompanhadas pelos profissionais competentes.
No PSE, a alimentação saudável e a prevenção da obesidade integram os temas de trabalho com os estudantes. No Paraná, essas atividades estão entre as ações desenvolvidas pelas equipes de saúde em conjunto com a comunidade escolar. (saude.pr.gov.br)
Atividade física deve fazer parte da rotina
A prática regular de atividade física favorece a saúde cardiovascular, a coordenação motora, o bem-estar e a socialização. Na escola, ela pode ocorrer nas aulas de educação física, em brincadeiras, jogos, deslocamentos ativos e atividades recreativas adequadas à idade e às condições de cada aluno.
O incentivo deve ser inclusivo e não se limitar ao desempenho esportivo. Crianças e adolescentes precisam ter oportunidades de se movimentar com segurança, respeitando diferenças de habilidade, deficiência, condição clínica e interesse pessoal.
A atividade física também pode ser associada a ações de saúde ambiental, lazer e ocupação dos espaços escolares. Para isso, é importante que a escola avalie riscos, mantenha os locais adequados e oriente os estudantes sobre hidratação, proteção contra o sol e reconhecimento de sinais de mal-estar.
Saúde bucal exige cuidado diário
A escovação dos dentes com creme dental fluoretado, o uso adequado do fio dental e o acompanhamento odontológico são medidas importantes para prevenir cáries e doenças da gengiva. A rotina escolar pode reforçar essas orientações, sem substituir a avaliação feita por profissionais de odontologia.
O acesso à água potável e a redução do consumo frequente de bebidas açucaradas também contribuem para a saúde bucal. Quando a escola identifica dor, dificuldade para mastigar, sangramento ou outras alterações, a família deve ser orientada a buscar atendimento na rede de saúde.
Dados divulgados pela Secretaria da Saúde do Paraná sobre as ações do PSE em 2025 apontaram a saúde bucal como uma das áreas mais trabalhadas nas atividades com estudantes. O programa também registrou iniciativas relacionadas à alimentação, vacinação, atividade física e saúde ambiental. (saude.pr.gov.br)
Ambiente escolar também influencia a saúde
Limpeza adequada, ventilação, manejo correto de resíduos, controle de água parada e manutenção de banheiros são medidas que ajudam a reduzir riscos no ambiente escolar. A comunidade pode participar de ações de identificação de possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya.
As atividades devem ser realizadas com orientação técnica e articuladas com os serviços municipais responsáveis. O objetivo é ensinar os estudantes a reconhecer situações de risco e a participar de soluções no território, sem transferir para crianças e adolescentes responsabilidades que cabem aos adultos e ao poder público.
Materiais do Ministério da Saúde recomendam que os temas de higiene, água, saneamento e prevenção de doenças sejam trabalhados de forma integrada às atividades pedagógicas. A abordagem pode envolver pesquisas, projetos, oficinas e ações de conscientização elaboradas com a participação dos estudantes. (bvsms.saude.gov.br)
Saúde mental e convivência também fazem parte da prevenção
Prevenir doenças na escola não significa tratar apenas de infecções ou problemas físicos. Ansiedade, tristeza persistente, isolamento, dificuldades de aprendizagem, violência e bullying também podem afetar a saúde e o desenvolvimento dos estudantes.
A escola deve oferecer um ambiente de respeito, escuta e proteção. Mudanças bruscas de comportamento, queda no rendimento, faltas frequentes, conflitos recorrentes ou sinais de sofrimento precisam ser observados com cuidado e encaminhados aos responsáveis e à rede de proteção, conforme a situação.
O diálogo deve evitar julgamentos e exposição pública. Em casos de risco imediato, violência ou ameaça à integridade de uma criança ou adolescente, a família e os serviços competentes devem ser acionados de acordo com os protocolos locais.
Famílias, escola e serviços de saúde atuam juntos
A prevenção é mais efetiva quando as responsabilidades são compartilhadas. As famílias podem manter a caderneta de vacinação atualizada, informar condições de saúde, acompanhar consultas e conversar com os filhos sobre higiene, alimentação, sono, atividade física e segurança.
A escola, por sua vez, deve promover ações educativas, manter condições adequadas de funcionamento, identificar situações que exigem encaminhamento e estabelecer contato com a atenção primária do município. As equipes de saúde podem apoiar avaliações, orientações, campanhas e atividades de promoção da saúde nas escolas pactuadas.
Segundo a Secretaria da Saúde do Paraná, o ciclo 2025/2026 do Programa Saúde na Escola reúne 5.149 escolas pactuadas no Estado. As ações são realizadas em parceria com municípios e equipes de Saúde da Família, abrangendo temas que vão da vacinação à saúde bucal, da alimentação à saúde mental. (saude.pr.gov.br)
Prevenção é uma prática contínua
Hábitos saudáveis não produzem resultados quando são apresentados apenas em campanhas isoladas. Eles precisam ser ensinados, praticados e reforçados ao longo do ano, com linguagem adequada à idade e respeito às características de cada comunidade escolar.
Com medidas simples e acompanhamento regular, a escola pode contribuir para reduzir a transmissão de doenças, identificar necessidades de cuidado e formar estudantes mais preparados para proteger a própria saúde e a de outras pessoas. Em caso de sintomas, dúvidas sobre vacinação ou necessidade de atendimento, a orientação é procurar a unidade de saúde de referência do município.
Fontes oficiais
As informações sobre o Programa Saúde na Escola podem ser consultadas no Ministério da Saúde e na página do Programa Saúde na Escola no Paraná. Orientações sobre vacinação e ações no Estado estão disponíveis no site da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.








