domingo, 25 de outubro de 2026
Esportes

Trilhas do Paraná atraem praticantes de trekking e corrida em meio à diversidade de paisagens

As trilhas do Paraná vêm ganhando espaço entre praticantes de trekking, montanhismo e corrida em terrenos naturais. Com opções que passam por Mata Atlântica, montanhas, cânions e formações rochosas, o estado reúne percursos para diferentes perfis de visitantes.

As trilhas do Paraná vêm atraindo praticantes de trekking, montanhismo e corrida em terrenos naturais. A diversidade de paisagens do estado permite escolher entre percursos curtos e acessíveis, caminhos históricos, circuitos em áreas de mata e travessias que exigem preparo físico e experiência.

O movimento também aparece nos registros de visitação das unidades de conservação. Um levantamento coordenado pelo Instituto Água e Terra (IAT) apontou crescimento de 93,7% no número de visitantes dos parques estaduais de montanha entre 2021 e 2025. No período, Serra da Baitaca, Pico do Marumbi e Pico Paraná passaram de 63.423 para 122.847 visitantes. Os dados foram divulgados pela Secretaria do Desenvolvimento Sustentável do Paraná.

Serra do Mar concentra percursos de maior desafio

Na faixa leste do estado, a Serra do Mar reúne algumas das rotas mais conhecidas entre montanhistas e praticantes de trekking. A região combina remanescentes de Mata Atlântica, variações de altitude, trechos íngremes e mudanças rápidas nas condições climáticas.

O Parque Estadual da Serra da Baitaca, entre Quatro Barras e Piraquara, é um dos principais destinos próximos à Região Metropolitana de Curitiba. Entre os atrativos está o Caminho do Itupava, percurso histórico de aproximadamente 20 quilômetros que liga a região serrana ao litoral e conserva trechos de calçamento associado ao período colonial.

O parque também abriga o Morro do Anhangava, com 1.420 metros de altitude. O local é procurado para trilhas, escalada e outras atividades de montanha. Por causa do desnível e das características do terreno, o trajeto exige atenção, planejamento e avaliação das condições meteorológicas.

Outro destaque é o Parque Estadual Pico Paraná, associado ao ponto culminante do Sul do Brasil. As trilhas da região são voltadas principalmente a visitantes com experiência em percursos longos e de maior exigência física. Subidas acentuadas, raízes, pedras, trechos de escalaminhada e exposição ao clima podem fazer parte do caminho.

O Parque Estadual Pico do Marumbi, em área da Serra do Mar, também é conhecido por seus percursos de montanha. As opções variam conforme o destino e o nível de dificuldade, mas a visita requer cuidados específicos, principalmente em dias de chuva, neblina ou baixa visibilidade.

Corrida em trilha amplia o uso dos caminhos naturais

Além das caminhadas, as trilhas do Paraná passaram a integrar com mais frequência treinos e provas de corrida em ambiente natural. O trail run, ou corrida de montanha, é praticado em terrenos com pouco ou nenhum asfalto e pode incluir estradas de chão, trilhas, subidas, descidas, lama e travessias de pequenos cursos d’água.

De acordo com a Secretaria do Esporte do Paraná, a modalidade combina esforço físico e contato com a natureza. Diferentemente da corrida de rua, o atleta precisa adaptar o ritmo à inclinação, ao tipo de solo, às raízes, às pedras e às condições do percurso.

Essa característica faz com que a preparação seja diferente da realizada em pistas e vias urbanas. O treinamento costuma incluir fortalecimento muscular, trabalho de equilíbrio, resistência para subidas e descidas e familiarização com terrenos irregulares. Em provas organizadas, também é necessário observar as regras do evento, a sinalização, os pontos de apoio e os equipamentos exigidos.

O crescimento das corridas em áreas naturais também movimenta o turismo de aventura. Em diferentes regiões do estado, eventos esportivos utilizam propriedades rurais, estradas de chão, áreas de serra e caminhos próximos a cachoeiras e mirantes. A realização de cada prova, porém, depende de autorização dos responsáveis pelo local e do cumprimento das normas ambientais.

Campos Gerais combinam cânions, cachoeiras e trilhas interpretativas

Nos Campos Gerais, o Parque Estadual do Guartelá é uma das referências para quem busca paisagens geológicas e percursos de caminhada. Localizado em Tibagi, o parque abriga o Cânion do Rio Iapó e oferece trilhas com diferentes características.

A Trilha Básica tem cerca de cinco quilômetros no percurso de ida e volta e passa por mirantes, cachoeiras e piscinas naturais conhecidas como panelões. É uma opção de menor extensão quando comparada às rotas de montanha da Serra do Mar, mas ainda exige atenção ao relevo, ao calor e ao piso irregular.

O parque também possui uma trilha voltada às pinturas rupestres. Com aproximadamente seis quilômetros, o percurso depende do acompanhamento de guia, conforme as regras de visitação informadas pelo órgão ambiental. A medida ajuda a proteger o patrimônio arqueológico e a orientar os visitantes durante o trajeto.

Outro destino conhecido da região é o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa. O local reúne formações de arenito moldadas por processos naturais ao longo do tempo. As trilhas e circuitos de visitação permitem observar estruturas rochosas características dos Campos Gerais, em uma experiência mais voltada à contemplação e à interpretação da paisagem.

Opções acessíveis aparecem em diferentes regiões do estado

Nem todas as trilhas do Paraná exigem longas horas de caminhada ou grande experiência em montanhismo. As unidades de conservação administradas pelo IAT reúnem percursos de diferentes níveis de dificuldade, incluindo circuitos adequados para iniciantes, famílias e visitantes interessados em uma atividade de menor intensidade.

No litoral, o Parque Estadual do Rio da Onça, em Matinhos, possui um circuito principal de aproximadamente 1,5 quilômetro. O percurso é plano, bem demarcado e inclui pontes suspensas e o Mirante das Bromélias. A área protege 119 hectares de Mata Atlântica e oferece contato com a vegetação nativa sem a exigência física de uma trilha de alta montanha.

Na região Norte, o Parque Estadual Mata dos Godoy, em Londrina, protege um dos remanescentes de floresta subtropical do estado. A visita proporciona contato com a fauna e a flora locais e reforça a importância das unidades de conservação para a preservação de áreas naturais próximas a centros urbanos.

Também há opções no Oeste, como o Parque Estadual de São Camilo, em Palotina. A unidade possui área de mata preservada e integra o conjunto de espaços indicados pelo IAT para quem busca conhecer diferentes ambientes naturais do Paraná.

Classificação ajuda visitante a escolher o percurso

Para reduzir riscos e melhorar a orientação dos visitantes, o IAT elaborou um guia de caracterização e classificação de trilhas para as unidades de conservação do Paraná. O material considera fatores como extensão, inclinação, tipo de terreno, exposição e exigência física.

A classificação é importante porque a distância, isoladamente, não define a dificuldade de uma trilha. Um percurso curto pode ter forte desnível, pedras soltas, travessias ou trechos sem estrutura. Da mesma forma, uma rota mais longa pode ser plana e apresentar menor exigência técnica.

Antes de sair, o visitante deve verificar as regras da unidade, conferir se há necessidade de agendamento ou acompanhamento de condutor e consultar as condições climáticas. Em áreas de montanha, mudanças no tempo podem alterar rapidamente a visibilidade e a segurança do trajeto.

Planejamento é essencial para trekking e corrida

A escolha da trilha precisa considerar o nível de preparo físico, o tempo disponível, a experiência do grupo e o objetivo da atividade. Iniciantes devem começar por circuitos curtos e sinalizados antes de avançar para percursos longos, com ganho de altitude ou trechos técnicos.

Também é recomendável usar calçado adequado, levar água e alimentação compatíveis com a duração da atividade, proteger-se do sol e carregar itens básicos de segurança. Em áreas sem cobertura de celular, informar o roteiro a alguém que não participará do passeio pode ser uma medida adicional de precaução.

Para corredores, o cuidado inclui respeitar o ritmo do grupo, evitar ultrapassagens em trechos estreitos e reduzir a velocidade em descidas, pedras molhadas e locais com baixa visibilidade. O objetivo é adaptar a corrida ao terreno, e não tratar a trilha como uma pista convencional.

O respeito ao ambiente também faz parte da experiência. O visitante deve permanecer no caminho demarcado, não retirar plantas, não alimentar animais, recolher o próprio lixo e evitar ruídos excessivos. Em áreas protegidas, essas atitudes ajudam a preservar a biodiversidade e a reduzir o impacto da visitação.

Turismo de natureza ganha novas possibilidades

A variedade de trilhas amplia o potencial do Paraná para o turismo de natureza. O estado reúne litoral, Mata Atlântica, Serra do Mar, Campos Gerais, florestas subtropicais, cânions e formações rochosas em diferentes regiões.

Para os praticantes de trekking, essa diversidade permite alternar entre caminhadas contemplativas, percursos históricos e desafios de montanha. Para os corredores, oferece terrenos variados para treinamento e competições, desde circuitos mais leves até rotas com maior desnível e exigência técnica.

O aumento da visitação, no entanto, reforça a necessidade de planejamento público, manutenção, sinalização e educação ambiental. Com estrutura adequada e uso responsável, as trilhas podem conciliar esporte, lazer, conservação e desenvolvimento do turismo regional.