sábado, 24 de outubro de 2026
MANCHETES

Turismo no interior do Paraná ganha espaço com natureza, cultura e novos roteiros

O turismo no interior do Paraná vem ganhando espaço com a expansão de roteiros de natureza, aventura, cultura, gastronomia e turismo rural. Dados oficiais indicam aumento da visitação, geração de empregos e maior interesse dos paranaenses em viajar pelo próprio Estado.

O turismo no interior do Paraná vem ganhando espaço entre os destinos procurados por moradores do Estado e visitantes de outras regiões. A expansão é impulsionada pela diversidade de atrativos naturais, históricos e culturais, além do crescimento de roteiros ligados à gastronomia, ao turismo rural, à aventura e à preservação ambiental.

Embora Curitiba, Foz do Iguaçu e o litoral permaneçam entre os principais polos turísticos paranaenses, municípios do interior passaram a ocupar uma posição mais relevante na estratégia de divulgação do Estado. A proposta é ampliar a permanência dos visitantes, distribuir melhor o fluxo turístico e transformar atrações regionais em produtos estruturados.

Os dados mais recentes da Secretaria de Estado do Turismo indicam que o setor paranaense manteve desempenho positivo em 2025. Entre janeiro e novembro, as atividades turísticas cresceram 5,5% em relação ao mesmo período de 2024, acima da média nacional de 5%. No mesmo intervalo, as empresas do setor registraram alta de 10,5% na receita nominal.

Interior aparece entre os principais atrativos

O movimento de crescimento não se limita aos destinos mais conhecidos. O levantamento divulgado pelo governo estadual aponta que mais de 10 milhões de pessoas visitaram 42 dos principais atrativos turísticos do Paraná em 2025. Entre os locais destacados estão o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, e o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa.

Localizado na região dos Campos Gerais, Vila Velha reúne formações areníticas, áreas de campos naturais e trilhas destinadas à visitação. O parque é um dos símbolos do turismo de natureza no Estado e integra uma região que também conta com outros atrativos, como o Buraco do Padre, o Cânion Guartelá e áreas voltadas à prática de atividades ao ar livre.

Em 2024, o Parque Nacional do Iguaçu recebeu 1.893.116 visitantes, segundo o Boletim de Dados Turísticos divulgado pelo governo estadual. O resultado reforça a importância do oeste paranaense no mapa turístico, mas também evidencia o potencial de integração entre Foz do Iguaçu e outros municípios da região.

A estratégia de regionalização busca estimular o turista a permanecer mais tempo no Estado e combinar destinos em uma mesma viagem. Com isso, cidades que antes eram apenas pontos de passagem podem ser incluídas em roteiros de curta, média ou longa duração.

Natureza é uma das principais portas de entrada

O ecoturismo está entre os segmentos mais ofertados pelas empresas do setor no Paraná. Pesquisa setorial da Secretaria do Turismo aponta que 17,2% dos empreendimentos consultados trabalham prioritariamente com esse segmento. Na sequência aparecem o turismo cultural, com 16,7%, e o turismo de aventura, com 10,9%.

O perfil favorece municípios do interior, onde áreas de mata, rios, cachoeiras, cânions, parques e propriedades rurais podem ser transformados em experiências turísticas. Em muitos casos, esses atrativos estão associados a atividades como caminhada, observação da natureza, cicloturismo, escalada, rapel, camping e visitas guiadas.

As Unidades de Conservação também desempenham papel importante nesse processo. Além de protegerem áreas naturais, elas podem contribuir para a geração de renda em municípios próximos quando contam com estrutura adequada, regras de visitação, sinalização, segurança e profissionais capacitados.

O crescimento, porém, exige planejamento. A ampliação do número de visitantes precisa ser acompanhada por medidas de conservação ambiental, controle de acesso, destinação correta de resíduos e qualificação dos serviços. Sem esses cuidados, o aumento do fluxo pode comprometer justamente os recursos que atraem os turistas.

Cultura, gastronomia e turismo rural ampliam a oferta

O interior do Paraná também se diferencia pela variedade cultural formada ao longo dos ciclos de ocupação do Estado. A presença de comunidades de diferentes origens aparece na arquitetura, nas festas tradicionais, na produção artesanal, na culinária e nas manifestações religiosas.

Em regiões do norte, dos Campos Gerais, do centro-sul e do oeste, roteiros históricos ajudam a contar a formação dos municípios e a relação com atividades como a agricultura, a criação de gado, o tropeirismo, a cafeicultura e a imigração. Esses elementos podem ser incorporados a visitas guiadas, museus, centros culturais, fazendas históricas e eventos locais.

O turismo rural é outra frente de expansão. Propriedades que oferecem hospedagem, alimentação, trilhas, contato com animais, produção artesanal e experiências ligadas ao campo passaram a integrar a oferta de viagens de fim de semana. A atividade aproxima o visitante da rotina rural e cria novas fontes de renda para produtores e empreendedores.

A gastronomia funciona como complemento desses roteiros. Produtos regionais, cafés especiais, queijos, embutidos, doces, cervejas artesanais e pratos associados à história local podem aumentar o tempo de permanência do visitante e estimular o consumo em pequenos negócios.

Esse tipo de experiência também ajuda a diferenciar destinos que não possuem um único atrativo de grande escala. Em vez de depender apenas de uma paisagem ou monumento, o município pode organizar uma oferta conjunta de alimentação, hospedagem, cultura e atividades de lazer.

Mercado interno favorece destinos regionais

A procura dos próprios paranaenses é um dos fatores que ajudam a explicar o avanço do turismo regional. Pesquisa realizada pela Secretaria do Turismo em 2024 mostrou que 86,3% dos participantes pretendiam fazer alguma viagem dentro do Estado até o fim daquele ano.

Entre os entrevistados, 46,3% indicaram preferência pelo interior, enquanto 40,3% escolheram o litoral e 13,4% apontaram a capital. O levantamento ouviu 2.335 pessoas de diferentes regiões e mostrou ainda que 68,6% utilizam sites de busca para pesquisar destinos turísticos.

A preferência por viagens próximas está relacionada à possibilidade de deslocamento de carro, ao menor tempo de planejamento e à oferta de passeios para feriados e fins de semana. A mesma pesquisa apontou que 79,5% dos participantes preferiam utilizar carro próprio ou alugado nas viagens.

Esse comportamento cria oportunidades para cidades que conseguem oferecer informações claras, acesso adequado e serviços básicos. A presença em plataformas digitais, a divulgação de horários, os canais de reserva e a sinalização dos atrativos passaram a ser fatores importantes para a decisão do visitante.

Empregos e formalização acompanham o crescimento

O avanço do turismo também tem impacto econômico. Até novembro de 2025, o Paraná registrou saldo positivo de 7.830 empregos com carteira assinada no setor, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados analisados pela Secretaria do Turismo.

Em janeiro de 2026, outro levantamento estadual apontou crescimento de 15,4% na geração de empregos formais do turismo em 2025, com saldo de 5.650 novas vagas no ano. A análise regionalizada destacou a recuperação de áreas do interior, incluindo os Campos Gerais, o Vale do Ivaí e o Noroeste.

O resultado mostra que os efeitos da atividade não se concentram apenas em hotéis e agências. O turismo movimenta restaurantes, transportes, comércio, serviços de guiamento, eventos, produção artesanal e fornecedores locais.

Para que esse impacto seja permanente, no entanto, é necessário ampliar a formalização dos negócios e a qualificação profissional. O atendimento ao visitante, a segurança nas atividades, a acessibilidade e a capacidade de comercializar roteiros influenciam diretamente a reputação dos destinos.

Infraestrutura ainda é um desafio

Apesar dos avanços, a expansão do turismo no interior enfrenta obstáculos. Pesquisa setorial do governo paranaense apontou que tornar os destinos mais conhecidos é um dos principais desafios do Estado. Também foram citadas a necessidade de melhorar rodovias, ampliar a infraestrutura de apoio, qualificar os serviços e facilitar o acesso às atrações.

Para muitos municípios, o problema não está apenas na existência de atrativos, mas na dificuldade de transformá-los em produtos turísticos disponíveis durante todo o ano. Isso envolve calendário de funcionamento, profissionais treinados, meios de hospedagem, alimentação, transporte, sinalização e divulgação integrada.

A conectividade entre os municípios é outro ponto relevante. Rotas regionais bem organizadas podem distribuir melhor os visitantes e estimular a criação de pacotes que combinem natureza, cultura e gastronomia. A cooperação entre prefeituras, empresas e entidades do setor é necessária para evitar ações isoladas e melhorar a experiência de quem viaja.

Também é preciso considerar a sazonalidade. Muitos empreendimentos concentram movimento nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e julho. A realização de eventos, a criação de experiências para diferentes públicos e a divulgação de roteiros fora da alta temporada podem ajudar a reduzir a ociosidade.

Perspectivas para o turismo no interior do Paraná

O fortalecimento do interior faz parte de uma política mais ampla de regionalização do turismo paranaense. O Estado trabalha com 18 territórios turísticos, que reúnem municípios com características e atrativos semelhantes. A divisão permite planejar ações de promoção, qualificação e estruturação de forma mais próxima das realidades locais.

O desafio agora é transformar o interesse crescente em resultados duradouros. Para isso, os destinos precisam manter investimentos em infraestrutura, preservar seus recursos naturais, organizar informações para os visitantes e garantir que a renda gerada pelo turismo circule nas comunidades.

Com paisagens diversas, patrimônio cultural e uma rede de municípios conectados por rodovias, o Paraná tem condições de ampliar sua presença no turismo nacional. O interior, que por muito tempo ficou à sombra de destinos mais conhecidos, passa a ser apresentado como parte essencial dessa oferta.

Os números recentes indicam que há demanda e espaço para crescer. A consolidação desse movimento dependerá da capacidade de transformar atrativos dispersos em roteiros acessíveis, bem divulgados e preparados para receber visitantes durante todo o ano.

Mais informações sobre indicadores, roteiros e atrativos podem ser consultadas no site da Secretaria do Turismo do Paraná e no sistema oficial de dados turísticos do Estado.