Os municípios paranaenses ampliaram, nos últimos anos, a participação em programas de cultura, lazer e turismo voltados à melhoria dos espaços públicos, à valorização do patrimônio e à atração de visitantes. Em 2025, ações estaduais e municipais alcançaram diferentes regiões do Paraná com obras de infraestrutura turística, instalação de sinalização, apoio a eventos, financiamento de projetos culturais e implantação de equipamentos esportivos e de convivência.
O movimento ocorre em um cenário de expansão da atividade turística. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume das atividades turísticas no Paraná cresceu 5,5% em 2025, acima da média nacional, que foi de 4,6% no mesmo período. (turismo.pr.gov.br)
Além do impacto direto sobre visitantes, os investimentos buscam melhorar a oferta de lazer para os moradores, fortalecer a economia criativa e estimular a circulação de renda em setores como hospedagem, alimentação, transporte, comércio, produção cultural e serviços.
Infraestrutura turística chega a 47 municípios
Uma das principais frentes de atuação foi o programa Paraná Turismo + Infra, coordenado pela Secretaria de Estado do Turismo. Em 2025, 47 municípios foram contemplados com obras, revitalizações, compra de equipamentos e instalação ou ampliação de sinalização turística. A proposta é qualificar os destinos e melhorar as condições de atendimento ao visitante.
Entre as ações anunciadas estão intervenções em espaços turísticos, estruturas de apoio, áreas de convivência e equipamentos utilizados na recepção de visitantes. A sinalização tem papel estratégico porque facilita o deslocamento, organiza os roteiros e amplia a visibilidade de atrativos que muitas vezes ainda são pouco conhecidos fora de suas regiões.
São Pedro do Paraná recebeu três projetos que somaram R$ 4,2 milhões em equipamentos. Em Foz do Iguaçu, foram destinados R$ 2,4 milhões para obras estruturantes. Altamira do Paraná contou com R$ 2 milhões para aprimorar espaços turísticos. Também foram citados investimentos em municípios como Corbélia, Floraí, Borrazópolis, Boa Vista da Aparecida, Alto Piquiri, Atalaia e Jardim Alegre. (turismo.pr.gov.br)
O programa também sinaliza uma tentativa de distribuir os recursos além dos destinos tradicionalmente mais conhecidos, como Curitiba e Foz do Iguaçu. Ao contemplar cidades menores, o Estado busca consolidar novos roteiros e estimular a permanência dos visitantes em diferentes regiões.
Oeste recebe pacote voltado ao turismo regional
Outra iniciativa anunciada para o setor foi um pacote de R$ 253 milhões destinado à infraestrutura turística de 19 cidades do Oeste do Paraná. Os recursos foram apresentados como parte de uma estratégia de desenvolvimento regional, com previsão de investimentos em áreas de lazer, estruturas de apoio ao turismo e equipamentos públicos.
A região reúne atrativos naturais, atividades ligadas ao turismo de aventura, áreas de lazer próximas a rios e lagos, além da forte presença de Foz do Iguaçu, um dos principais destinos turísticos do país. A melhoria da infraestrutura nos municípios do entorno pode contribuir para ampliar a oferta de experiências e reduzir a concentração do fluxo em poucos pontos.
Em Foz do Iguaçu, a estrutura aeroportuária também aparece entre os projetos associados à expansão do turismo de negócios e lazer. O planejamento estadual relaciona a ampliação da capacidade de atendimento e a modernização dos equipamentos à estratégia de fortalecimento do destino. (parana.pr.gov.br)
Eventos movimentam cidades do interior
Os eventos municipais formam outra frente relevante de investimento. No primeiro semestre de 2025, o Governo do Paraná informou ter destinado R$ 28,9 milhões para ações de apoio ao turismo e à realização de 195 eventos em diferentes municípios. Os recursos foram direcionados a feiras agropecuárias, aniversários de cidades, festas tradicionais e outras atividades de interesse regional.
O Território Turístico Encantos dos Ipês, liderado por Maringá e formado por 31 municípios do Noroeste, recebeu R$ 3,26 milhões e teve 13 eventos apoiados no período. A estratégia integra municípios próximos em uma mesma promoção turística, ampliando a possibilidade de criação de roteiros e de divulgação conjunta.
Feiras, festas populares e eventos culturais cumprem funções que vão além do entretenimento. Eles podem gerar demanda temporária por hospedagem e alimentação, estimular o comércio local, divulgar produtos regionais e fortalecer manifestações culturais. O resultado, porém, depende de planejamento, calendário, divulgação, segurança, mobilidade e capacidade de atendimento.
Dados divulgados pela Secretaria do Turismo apontaram ainda que o setor encerrou 2025 com saldo de 5.650 novos empregos formais no Paraná, crescimento de 15,4% em relação ao ano anterior. A região de Curitiba e municípios da Região Metropolitana tiveram papel importante no resultado, assim como áreas do interior que apresentaram recuperação. (casacivil.pr.gov.br)
Cultura recebe recursos para descentralizar projetos
Na área cultural, o Paraná ampliou editais e mecanismos de financiamento destinados a artistas, coletivos, produtores, instituições e municípios. A Secretaria de Estado da Cultura informou que o Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura, o PROFICE, abriu em 2025 uma nova edição com R$ 20 milhões para projetos culturais.
A política prevê que 60% dos recursos dos editais sejam destinados a proponentes do interior. Também foram estabelecidas reservas para pessoas negras, indígenas ou com deficiência. Os projetos podem abranger produção e difusão cultural, festivais, mostras, feiras, festas populares, ações educativas, pesquisa, publicações e preservação do patrimônio.
O objetivo da descentralização é ampliar o acesso aos recursos públicos e reduzir a concentração de projetos na capital. Na prática, a medida cria condições para que iniciativas de municípios médios e pequenos participem dos mecanismos estaduais de fomento, desde que atendam aos critérios dos editais.
Outro eixo da política é o Programa de Apoio aos Municípios Criativos do Paraná. A iniciativa permite a transferência de recursos do Fundo Estadual de Cultura para projetos e ações culturais municipais. O modelo depende da existência de um Sistema Municipal de Cultura implementado, com instrumentos de gestão e participação previstos na legislação estadual.
Em 2025, 374 municípios paranaenses, o equivalente a 93,73% das cidades do Estado, contavam com conselhos, planos e fundos de cultura, segundo balanço da Secretaria da Cultura. A estrutura de gestão é importante para organizar prioridades, acompanhar projetos e dar maior previsibilidade às políticas públicas do setor. (cultura.pr.gov.br)
Patrimônio e economia criativa entram no planejamento
A preservação do patrimônio cultural aparece vinculada à agenda de turismo e desenvolvimento local. Edificações históricas, festas tradicionais, manifestações populares, museus, gastronomia e paisagens culturais podem compor roteiros e ampliar a identidade dos destinos.
O PROFICE incluiu entre seus eixos a preservação e a valorização do patrimônio cultural, com projetos voltados à proteção, promoção e difusão de bens materiais e imateriais. A política também contempla diferentes linguagens artísticas, como música, teatro, dança, literatura, audiovisual, artes visuais e culturas populares. (cultura.pr.gov.br)
Em Foz do Iguaçu, o planejamento estadual também prevê a implantação do Centre Pompidou Paraná, projeto associado à criação de um espaço cultural de grande porte. A proposta foi apresentada com investimento de R$ 250 milhões e integra uma estratégia de fortalecimento da oferta cultural e turística da cidade.
O projeto ainda deve ser acompanhado por etapas de execução, contratação e definição da programação. Por isso, a transformação do investimento em impacto permanente dependerá da conclusão das obras, da operação do equipamento, da formação de público e da integração com escolas, artistas e instituições locais. (planejamento.pr.gov.br)
Espaços públicos ampliam opções de lazer
O lazer também foi contemplado por programas de urbanização e implantação de equipamentos comunitários. O programa Meu Campinho, voltado a campos com grama sintética, academias e playgrounds, recebeu R$ 251,4 milhões em 2025. A iniciativa alcançou 234 municípios, com 411 campos e 975 módulos complementares, conforme balanço da Secretaria das Cidades.
Desde 2019, os investimentos estaduais em infraestrutura de esporte e lazer somaram R$ 1,1 bilhão, de acordo com o mesmo levantamento. Os equipamentos têm uso principalmente comunitário e podem atender crianças, jovens, idosos e grupos esportivos, especialmente em bairros que não dispõem de áreas adequadas para atividades físicas.
A melhoria dos espaços de convivência também está ligada à iluminação pública. O programa Ilumina Paraná informou ter substituído mais de 120 mil luminárias por tecnologia LED em 262 municípios, com investimentos superiores a R$ 300 milhões. Embora a iniciativa tenha objetivos de eficiência e segurança, a iluminação de praças, parques e áreas esportivas também influencia o uso desses locais no período noturno.
Em conjunto, obras de pavimentação, iluminação, parques, praças, campos e áreas de convivência ajudam a formar uma infraestrutura urbana mais adequada ao lazer cotidiano. A efetividade, entretanto, depende da manutenção dos equipamentos, da acessibilidade, da segurança e da programação oferecida à população.
Desafio é transformar obras em política permanente
Os investimentos mostram uma aproximação crescente entre cultura, lazer e turismo nas políticas públicas do Paraná. Um espaço cultural pode atender moradores e visitantes; uma festa tradicional pode preservar a memória local e movimentar a economia; um parque pode funcionar como área de convivência e também como atração turística.
Para que os resultados sejam duradouros, os municípios precisam manter equipes qualificadas, atualizar calendários, garantir acessibilidade e medir o impacto das ações. Também é necessário acompanhar a execução financeira, os prazos das obras e a utilização efetiva dos equipamentos depois da entrega.
Outro ponto é a distribuição regional. A expansão dos investimentos para cidades menores pode fortalecer o interior, mas exige planejamento integrado entre municípios próximos, divulgação conjunta e melhoria dos serviços de transporte, hospedagem, alimentação e atendimento ao visitante.
Com crescimento da atividade turística e ampliação dos programas culturais e de lazer, o Paraná consolida uma agenda que combina qualidade de vida, preservação da identidade regional e desenvolvimento econômico. O próximo passo será transformar os recursos aplicados em políticas permanentes, com participação da população, continuidade administrativa e resultados verificáveis para moradores e turistas.








