O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas foi organizado para relacionar diagnósticos, indicadores, metas e estratégias de execução em uma agenda de políticas públicas para o estado. Apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD), o documento reúne aproximadamente 1.742 páginas distribuídas em três volumes e contempla áreas como economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional.
A coordenação do trabalho ficou a cargo do empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte, que articulou equipes formadas por especialistas de diferentes áreas. A elaboração contou ainda com pesquisadores, professores, economistas, profissionais da administração, representantes de instituições de pesquisa, entidades de classe, organizações da sociedade civil e integrantes do setor produtivo.
O planejamento foi apresentado como uma base para a próxima administração estadual e como uma agenda capaz de ultrapassar os limites de um único mandato. A eleição de Omar Aziz ocorreu no domingo, 25 de outubro de 2026, com Alessandra Campêlo como vice-governadora eleita.
Documento organiza propostas em três volumes
O primeiro volume concentra temas relacionados à situação fiscal do Amazonas, aos efeitos da Reforma Tributária, à infraestrutura, à logística e à diversificação da economia. O conteúdo também inclui diretrizes para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus e para a expansão de atividades produtivas nos municípios do interior.
Entre os setores mencionados estão a bioeconomia, o turismo, a piscicultura, a fruticultura, a ciência e a tecnologia. A proposta é ampliar a capacidade de investimento do estado e reduzir diferenças econômicas entre Manaus e as demais regiões do Amazonas.
O segundo volume reúne propostas para saúde, segurança pública e assistência social. Na saúde, o plano prevê a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.
Na segurança pública, o documento apresenta a modernização do Ronda no Bairro e a ampliação do modelo por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. Para a assistência social, o programa Amazonas Forte Social é descrito como uma estratégia de fortalecimento da rede de proteção às famílias vulneráveis e de ampliação das oportunidades de autonomia econômica.
O terceiro volume trata de educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as propostas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio e a ampliação da educação profissional e tecnológica.
O texto também prevê a modernização dos serviços públicos por meio do programa Amazonas Digital e Inovador, além do fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). A valorização cultural e a proteção dos povos indígenas integram o conjunto de temas do volume.
Indicadores devem acompanhar execução
Uma das características do plano é a tentativa de conectar os problemas identificados às soluções propostas e aos mecanismos de implementação. Para isso, os documentos apresentam indicadores, metas e instrumentos de avaliação destinados a acompanhar os resultados das ações ao longo do tempo.
A estrutura também incorpora temas como inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública. A intenção declarada é organizar políticas que possam permanecer em funcionamento mesmo diante de mudanças de governo.
O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes em sua elaboração. A presença de profissionais de diferentes especialidades foi usada para reunir diagnósticos setoriais e formular propostas para áreas distintas da administração estadual.
Com a eleição de Omar Aziz, o plano passou a integrar o conjunto de referências técnicas disponíveis para a próxima gestão. O governador eleito deverá assumir o Executivo estadual em janeiro de 2027, ao lado de Alessandra Campêlo, primeira mulher eleita para a vice-governadoria do Amazonas.
Experiência de Durango Duarte reúne pesquisa e gestão
A coordenação do planejamento está relacionada à trajetória de Durango Duarte em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Manaus em 1975 e construiu na capital amazonense a maior parte de sua carreira profissional e empresarial.
Durango estudou Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Também se graduou em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte).
Sua formação inclui especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital. Esses campos estão relacionados às atividades que desenvolveu em pesquisas, comunicação e planejamento estratégico.
A aproximação com a política começou no movimento estudantil, durante a década de 1980, em mobilizações pela redemocratização do país e em atividades de representação universitária. A relação profissional com Omar Aziz teve início nesse período.
Em 1988, Durango foi convidado por Omar Aziz para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.
Entre 1989 e 1990, atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Mais tarde, desenvolveu trabalhos associados a administrações estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de gestões municipais.
Ao longo desse percurso, participou de estudos, estratégias e projetos relacionados à comunicação institucional, ao planejamento governamental e às políticas públicas. Entre as iniciativas associadas à sua trajetória estão o Ronda no Bairro, o Amazonas Digital, o Viver Melhor, a Cidade Universitária e o Bolsa Universidade.
Perspectiva ampliou atuação em pesquisas
A experiência de Durango com pesquisas começou em 1990, em trabalhos realizados com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Naquele momento, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, em um período de recursos tecnológicos mais limitados e de maior demora na totalização oficial dos resultados.
Em 13 de julho de 1993, fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A empresa se tornou conhecida no Amazonas pela realização de pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises sobre o comportamento dos consumidores.
Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa. Durango acumulou experiência no acompanhamento de 22 eleições desde 1982 e criou o Top of Mind, levantamento voltado às marcas e aos produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.
Esse trabalho consolidou sua atuação na interpretação de indicadores, na identificação de tendências e no uso de informações para orientar decisões estratégicas. A experiência foi incorporada à coordenação do plano estadual, que reúne diagnósticos e propostas de diferentes setores.
Empresas ampliaram experiência em comunicação e tecnologia
Além da Perspectiva, Durango diversificou suas atividades empresariais. Em 2009, fundou a The Voice, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, com serviços relacionados à comunicação digital, ao marketing, às pesquisas e ao monitoramento de informações.
Em 2021, fundou a Red Agency, voltada ao setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais. A expansão dos negócios envolveu gestão de equipes, desenvolvimento de projetos, inovação tecnológica e planejamento empresarial.
Essa combinação de experiências foi aplicada na articulação das equipes que participaram da elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas. O trabalho envolveu áreas de conhecimento distintas e a organização de propostas destinadas à administração estadual.
Instituto preserva registros históricos do Amazonas
A atuação de Durango Duarte também inclui a produção e a preservação de conhecimento histórico. Em 2015, ele fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, à documentação e à preservação de registros.
Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes relacionadas à história de Manaus, do Amazonas e do Brasil.
Durango participou ainda da publicação de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional. Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, publicado em 2020.
Também participou de publicações sobre a história da Zona Franca de Manaus, o ciclo da borracha e a preservação do patrimônio histórico da capital amazonense.
Próxima gestão terá de definir prioridades
O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas oferece uma base de propostas para áreas consideradas centrais na administração estadual. A transformação dos estudos em ações dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária e da capacidade de execução dos órgãos públicos.
A implementação também exigirá articulação com municípios, União e setor produtivo. A agenda apresentada inclui medidas para reorganizar serviços, ampliar investimentos, desenvolver os municípios do interior e incorporar tecnologia à gestão pública.
Com a vitória de Omar Aziz, o trabalho coordenado por Durango Duarte deixa de ser apenas uma referência programática de campanha e passa a integrar o conjunto de documentos que poderão orientar a formulação das políticas públicas da próxima administração.
O planejamento reúne experiências profissionais, diagnósticos setoriais e propostas para diferentes áreas do governo. Sua execução deverá ser acompanhada pelos indicadores e pelas metas previstos nos três volumes, que somam aproximadamente 1.742 páginas.








