sábado, 24 de outubro de 2026
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Paraná possui mais de 200 municípios com vocação turística e amplia oferta de destinos

O Paraná possui mais de 200 municípios incluídos no Mapa do Turismo Brasileiro e organiza sua oferta em 18 territórios turísticos. A estratégia reúne destinos consolidados e cidades com potencial para desenvolver atividades de natureza, cultura, gastronomia, turismo rural, náutico e de aventura.

O Paraná possui mais de 200 municípios incluídos no Mapa do Turismo Brasileiro, segundo relação divulgada pelo governo estadual em 2025. A presença na lista reúne cidades com diferentes níveis de estrutura e oferta, desde destinos consolidados até municípios que ainda desenvolvem produtos, roteiros e serviços voltados aos visitantes.

A diversidade ajuda a explicar a força do turismo paranaense. O estado combina litoral, Mata Atlântica, rios, lagos, parques, formações geológicas, áreas rurais, patrimônio histórico, manifestações religiosas e influências culturais de diferentes grupos de imigrantes. Para organizar essa oferta, o Paraná trabalha com 18 territórios turísticos, que agrupam municípios com características, atrativos e estratégias de desenvolvimento semelhantes.

O que significa ter vocação turística

A vocação turística não significa, necessariamente, que a cidade já receba grandes fluxos de visitantes ou disponha de uma ampla rede de hotéis, restaurantes e serviços. O conceito está relacionado à existência de atrativos, recursos naturais ou culturais, identidade local e condições que podem favorecer o desenvolvimento de atividades turísticas.

Também entram nessa avaliação aspectos como infraestrutura, organização da gestão pública, participação em instâncias regionais e capacidade de estruturar roteiros. Por isso, um município pode integrar uma região turística mesmo quando ainda está em fase de planejamento, qualificação ou consolidação de seus produtos.

O Painel da Oferta Turística do Paraná foi criado para reunir informações sobre atrativos, atividades e equipamentos distribuídos pelo estado. A ferramenta permite consultar dados por município, segmento ou categoria e também apoia ações de planejamento, ordenamento territorial e atração de investimentos. (turismo.pr.gov.br)

Mais de 200 cidades no Mapa do Turismo Brasileiro

A relação estadual divulgada em agosto de 2025 reúne mais de 200 municípios paranaenses no Mapa do Turismo Brasileiro. A lista inclui cidades de todas as principais áreas do estado, como Foz do Iguaçu, Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Paranaguá, Morretes, Guaratuba, Prudentópolis, Tibagi, Guarapuava e diversas localidades de menor porte.

A inclusão no mapa federal é importante porque integra os municípios a uma política nacional de regionalização do turismo. Na prática, a participação pode facilitar o acesso a programas de capacitação, linhas de financiamento, apoio a eventos e investimentos em infraestrutura, desde que as cidades atendam aos critérios e mantenham atualizadas as informações exigidas pelo programa.

A presença no mapa, no entanto, não transforma automaticamente um município em destino turístico consolidado. O reconhecimento indica que a cidade participa da organização regional e possui condições ou potencial para integrar a oferta turística. A qualidade da experiência depende de planejamento, conservação dos atrativos, divulgação, qualificação dos trabalhadores e prestação adequada de serviços.

18 territórios organizam a oferta turística

O programa estadual “18 Territórios, Um Só Destino” busca organizar o turismo a partir das características de cada região. A proposta envolve a valorização da identidade local, a diversificação da oferta, a preservação do patrimônio, o apoio a eventos, a capacitação de agentes e o estímulo a parcerias entre poder público e iniciativa privada.

Entre os territórios estão Campos Gerais; Cataratas do Iguaçu e Caminho ao Lago de Itaipu; Litoral do Paraná; Norte do Paraná; Rotas do Pinhão; Vale do Ivaí; além de regiões voltadas a águas, ecoturismo, história, sabores, turismo rural e atividades de aventura.

Esse modelo permite que o visitante conheça mais de um município em uma mesma viagem. Também favorece a criação de roteiros integrados, nos quais cidades próximas compartilham divulgação, calendário de eventos, experiências gastronômicas e atrativos naturais ou culturais.

Natureza e aventura nos Campos Gerais

Os Campos Gerais concentram alguns dos principais exemplos de turismo de natureza do estado. Ponta Grossa abriga os arenitos de Vila Velha e o Buraco do Padre, enquanto Tibagi é associada ao Cânion do Guartelá e a atividades como trekking, rafting e outras experiências de aventura.

A região também reúne Jaguariaíva, Sengés, Carambeí, Castro, Palmeira, Piraí do Sul e outros municípios. Além das paisagens naturais, o território trabalha com patrimônio histórico, tropeirismo, imigração e turismo rural. O Parque Histórico de Carambeí e as colônias de Castrolanda e Witmarsum são exemplos de atrações ligadas à memória e à formação cultural regional.

De acordo com a Secretaria de Estado do Turismo, o território dos Campos Gerais combina formações geológicas, museus, colônias de imigrantes e atividades de aventura. Essa variedade permite atender públicos interessados tanto em passeios ao ar livre quanto em história, gastronomia e cultura.

Litoral reúne praias, Mata Atlântica e patrimônio histórico

No litoral, municípios como Paranaguá, Morretes, Antonina, Guaratuba, Matinhos, Pontal do Paraná e Guaraqueçaba formam uma das áreas turísticas mais tradicionais do estado. A região tem praias, baías, ilhas, manguezais, áreas preservadas da Mata Atlântica e caminhos históricos que conectam a serra ao mar.

O turismo náutico, o ecoturismo e as atividades de aventura convivem com manifestações religiosas, festas tradicionais e gastronomia. O barreado, a cachaça de Morretes, a bala de banana de Antonina e os frutos do mar estão entre os elementos associados à identidade turística do litoral paranaense.

A região também concentra patrimônios históricos importantes. Paranaguá e Antonina preservam construções, ruas e referências ligadas à ocupação antiga do estado, enquanto Morretes se tornou conhecida pela combinação entre paisagem, culinária e acesso à Serra do Mar.

Foz do Iguaçu lidera a projeção internacional

Foz do Iguaçu é o principal destino internacional do turismo paranaense. As Cataratas do Iguaçu, no Parque Nacional do Iguaçu, atraem visitantes brasileiros e estrangeiros e formam o núcleo de uma região que também inclui a Usina Hidrelétrica de Itaipu, a tríplice fronteira e municípios do entorno do Lago de Itaipu.

O território das Cataratas do Iguaçu e Caminho ao Lago de Itaipu combina turismo de natureza, lazer, pesca, balneários de água doce, cicloturismo, compras e experiências culturais. Municípios como Santa Helena, Missal, Itaipulândia, Medianeira, Matelândia, Guaíra e Marechal Cândido Rondon ampliam a oferta regional.

A existência de um destino de grande projeção ajuda a movimentar serviços de hospedagem, alimentação, transporte, comércio e receptivo. Ao mesmo tempo, a regionalização busca distribuir melhor os benefícios da atividade, estimulando o visitante a permanecer mais tempo e conhecer outras localidades.

Turismo de água doce ganha espaço no interior

O Paraná também possui dezenas de municípios com potencial relacionado a rios, represas, praias de água doce e atividades náuticas. No Noroeste, territórios como Caminho das Águas, Encontro das Águas e Biomas e Águas do Arenito Caiuá trabalham com praias fluviais, cachoeiras, passeios de barco, pesca, trilhas e observação da fauna e da flora.

Porto Rico, São Pedro do Paraná, Querência do Norte, Santa Isabel do Ivaí, Icaraíma e outros municípios aparecem associados a experiências em rios e ambientes de água doce. Essas áreas podem atrair visitantes em busca de lazer, pesca esportiva, esportes náuticos e contato com a natureza.

O turismo de água doce também contribui para diversificar a economia de cidades que não possuem litoral marítimo. A estruturação desses destinos depende de acesso, segurança, sinalização, preservação ambiental e oferta de serviços compatíveis com o crescimento da demanda.

História, religião e gastronomia fortalecem cidades do interior

Em diferentes regiões, o turismo paranaense está ligado à história da ocupação territorial, ao tropeirismo, às comunidades de imigrantes, à produção rural e às manifestações religiosas. Esses elementos ajudam municípios de pequeno e médio porte a criar roteiros próprios e a valorizar tradições locais.

O Caminho do Peabiru, por exemplo, aparece associado a municípios do centro do estado e do entorno de Pitanga e Palmital. Já o tropeirismo está presente em experiências de cavalgadas, festas tradicionais, museus e roteiros históricos dos Campos Gerais e de outras áreas do Paraná.

A gastronomia também funciona como instrumento de promoção turística. Além dos pratos e produtos ligados ao litoral, regiões do interior desenvolvem experiências rurais, cafés coloniais, cervejarias, agroindústrias, festas de colheita e circuitos voltados à produção local.

Gestão municipal é um dos desafios

O crescimento do número de municípios interessados no turismo aumenta a necessidade de planejamento. Pesquisa de Gestão Turística Municipal realizada pela Secretaria de Estado do Turismo em 2025 ouviu 311 municípios, equivalentes a 77,9% do total estadual. O levantamento apontou que 82,3% das cidades participantes possuíam Conselhos Municipais de Turismo e 70,7% contavam com órgãos municipais dedicados ao setor.

O estudo também registrou que 62,4% dos municípios tinham lei específica de turismo, enquanto 50,8% possuíam planos de ação para a área. A participação em Instâncias de Governança Regional alcançou 72,3% das cidades consultadas.

Os dados indicam avanço institucional, mas também mostram que a estrutura ainda é desigual. A existência de atrativos não garante, sozinha, a formação de um destino competitivo. São necessários recursos, equipes técnicas, manutenção, acessibilidade, sinalização, divulgação profissional e mecanismos de acompanhamento dos resultados.

Potencial depende de planejamento e preservação

O Paraná possui uma base diversificada para ampliar o turismo em diferentes regiões. A presença de centenas de municípios no mapa estadual e federal demonstra que a atividade deixou de depender apenas de poucos destinos conhecidos e passou a ser tratada como uma estratégia de desenvolvimento regional.

O desafio é transformar potencial em experiências organizadas, sustentáveis e economicamente viáveis. Para isso, os municípios precisam trabalhar de forma integrada, proteger seus patrimônios naturais e culturais e oferecer ao visitante informações confiáveis e serviços de qualidade.

Com essa estrutura, cidades já consolidadas podem ampliar a permanência dos turistas, enquanto municípios menores ganham condições para apresentar seus atrativos. O resultado esperado é uma rede de destinos capaz de distribuir oportunidades, gerar renda e revelar novas formas de conhecer o Paraná.