sábado, 24 de outubro de 2026
Mercado de Trabalho

Primeiro contato após a licença-maternidade teria regras próprias em projeto na Câmara

O Projeto de Lei 2307/2026 prevê que empresas com 20 ou mais funcionários façam uma entrevista de alinhamento com trabalhadoras no retorno da licença-maternidade. O texto também estabelece a preservação do cargo, da função e da jornada anteriores, com exceções específicas.
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O retorno após a licença-maternidade poderá seguir um procedimento específico nas empresas com 20 ou mais funcionários, caso o Projeto de Lei 2307/2026 seja aprovado pelo Congresso. Apresentada pela deputada Denise Pessôa (PT-RS), a proposta prevê uma entrevista de alinhamento entre a trabalhadora e a empresa no momento da volta ao emprego.

O texto está em análise na Câmara dos Deputados e ainda não produz efeitos. Antes de uma eventual transformação em lei, a proposta precisa avançar pelas comissões da Casa e concluir a tramitação no Congresso.

Entrevista deverá marcar o retorno ao trabalho

De acordo com o projeto, a empresa deverá realizar pelo menos uma reunião com a empregada que retornar da licença-maternidade. A finalidade será organizar a retomada das atividades e apresentar as mudanças ocorridas durante o período de afastamento.

A entrevista também deverá servir para definir as atribuições da trabalhadora na volta ao emprego. Com isso, a proposta estabelece uma etapa formal de comunicação entre a empresa e a profissional após a licença.

O projeto não determina apenas a realização do encontro. A medida está associada à previsão de manutenção das condições de trabalho existentes antes do afastamento.

Cargo, função e jornada seriam preservados

O PL 2307/2026 prevê a manutenção do cargo, da função e da jornada que a trabalhadora tinha antes da licença-maternidade. A regra seria aplicada ao retorno ao emprego, com o objetivo de impedir alterações nessas condições como consequência automática do afastamento.

O texto admite mudanças em três situações: quando houver recomendação médica, por pedido expresso da própria trabalhadora ou mediante negociação coletiva. Fora dessas hipóteses, a proposta estabelece como referência a preservação das condições anteriores à licença.

A matéria, portanto, combina duas frentes: a comunicação sobre o que ocorreu na empresa durante a ausência e a manutenção dos principais elementos da relação de trabalho no retorno.

Justificativa cita estabilidade de cinco meses

Na justificativa apresentada à Câmara, Denise Pessôa afirma que a estabilidade provisória de cinco meses após o parto não seria suficiente para assegurar a permanência das mães no emprego.

Segundo a argumentação da deputada, o projeto busca ampliar a proteção oferecida no momento de retorno ao trabalho. A proposta também pretende incluir expressamente a maternidade entre os motivos de discriminação proibidos pela legislação trabalhista.

Essa previsão aparece no mesmo texto que trata da entrevista de alinhamento e da preservação do cargo, da função e da jornada. O projeto ainda está sujeito à análise dos parlamentares e pode ser alterado durante a tramitação.

Próximas etapas na Câmara

O projeto aguarda a designação de relator na Comissão de Trabalho. Depois dessa fase, deverá ser analisado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A aprovação nas comissões não encerraria o processo legislativo. Para se tornar lei, o texto ainda dependeria da tramitação no Congresso, conforme as etapas aplicáveis à proposta.

Até que esse percurso seja concluído e a medida eventualmente entre em vigor, não há obrigação criada pelo PL 2307/2026 para que as empresas adotem a entrevista de alinhamento ou preservem as condições de trabalho com base nesse projeto.

Com informações da Agência Câmara de Notícias.